Jun 24, 2014

Água

Se tem uma coisa que me tira o sono é pensar em que o mundo não terá água. Engraçado, acho que todos têm seus medos e aflições, poucos falam disso, mas tenho certeza de que você, aí, também tem o seu. Tem gente que tem medo de chuva. Outros de raios e terremotos. De incêndio, dilúvio, de gato, de elefante e assim vai.

Eu me lembro bem da primeira vez que tive um pouco mais de consciência sobre a escassez de água. A Jennifer Aniston, na época Rachel de Friends, era a garota da água SmartWater. Ela saiu em um anúncio em que dizia que seus banhos duravam 3 minutos. Lembro que eu cheguei a ver quanto tempo durava meu banho e também comecei a tentar tomar banhos mais curtos. Lembro também de algum imbecil falando que quando ganhasse os US$1mi que ela ganhava por cada episódio do Friends, também tomaria banhos curtos. Ah, os ídolos da adolescência! Olha só, até parece que o Justin Bieber faria isso com alguma fã hoje em dia.

E por que estou aqui escrevendo sobre isto? A história ainda vai longe. Nós nos mudamos para o prédio em que moramos hoje há dois anos. Foi tudo com muita emoção, barrigão de 8 meses empacotando a casa, guardei minhas Le Creusets com 38 semanas, naquela época em que dizem para fazermos exercícios e caminhadas leves, sabe? Só que não, eu levantava panelas para ver se o Dani se animava a sair do quentinho. O cheiro de tinta me espantou para a casa da minha mãe aos 45min do segundo tempo, fui de lá para a maternidade e voltei então para nosso novo lar.

E neste tempo todo muita coisa mudou no nosso prédio, mas a conta de água, não. Houve troca de síndicos - ainda bem - e, depois dos possíveis racionamentos deste ano, uma conta estratosférica e as metas de redução da Sabesp, a síndica tomou medidas bem polêmicas.

Um encanador foi contratado para inspecionar cada apartamento, ver cada pia, privada, cano, registro. Depois, este mesmo encanador arrumou vazamentos e instalou redutores de pressão em algumas torneiras. Essa, para mim, foi a medida mais chocante. Aqui em casa não instalaram nada, já que, com a reforma que fizemos, já tínhamos colocado torneiras melhores. Eu tenho minha mania maluca em relação à água: enquanto a àgua do chuveiro (a gás) esquenta, eu deixo um balde e uso para a descarga do banheiro. Sabe que a água fria enche um balde inteiro? O marido já me chamou de doida, e tenho certeza de que um monte de gente também vai achar o mesmo. Nem ligo, tá?

E imagina alguém sair instalando coisas na sua casa? Com certeza nem todo mundo gostou. Pois o tempo passou e recebemos um comunicado. A conta de água em março tinha o valor de R$10mil. A conta de maio veio de R$5mil e uns quebrados. E, como o prédio conseguiu bater a meta de redução da Sabesp, com os descontos, a conta final foi de R$3,5mil.

Eu cai da cadeira quando vi estes valores. Como pode, pessoas tinham vazamentos em casa que eram o equivalente, como dizia no documento, à uma torneira aberta. A consciência do prédio, de um só prédio, reduziu o consumo de água em 50%. Fico pensando em todos os outros prédios sem síndica que got balls para peitar todo mundo e fazer o que foi feito aqui. Fico vendo ainda pessoas lavando calçadas com mangueira e pensando nos acomodados que deixam seus vazamentos pra amanhã. E aí, será que essa pessoa parou para pensar se vai mesmo ter água amanhã?

Jun 5, 2014

O bolo de 2 anos

Lá na escola do Dani, tem bolo no dia do aniversário. Não é nada sofisticado, as mães os pais (vamos ser politicamente corretos) mandam muitos bolos caseiros e simples - até porque as crianças têm entre 2 e 3 anos. A ideia é levar um complemento ao lanche, um bolinho para espetar a vela, cantar parabéns e comemorar com os amiguinhos.

Vamos lá, né? Pode dizer. Era só o que me faltava comprar um pronto. Nada contra os bolos prontos, mas com tanta receita testada e feita quase semanalmente, ia ser um desaforo. Apesar de que poderia ter dado tudo errado, porque é assim, quando é importante a farinha sente, o fermento encolhe e o leite desanda. Já pensou eu lá na loja de bolos caseiros da moda que abriu aqui pertinho amanhã de manhã?

Bom, fiquei pensando sobre esse bolo e o que faria. Cenoura com chocolate é infalível. Iogurte com geleia de frutas seria uma opção bem levinha. Fubá? Coco? Ou será que o chocolate com cobertura de brigadeiro, para melecar tudo mesmo?

Pensando e repensando, cheguei no bolo cookie. Não é daqueles bolos pápum que você consegue até bater com 2 garfos (como o de iogurte) já que precisa de batedeira, mas ele vale a pena. Se for feito em uma forma redonda com furo no meio, ele fica com uma cara de cookie gigante. Quase dá dó de jogar uma cobertura em cima. Mas quando a cobertura fica pronta, a dó passa, eu garanto.

Fui divagando e lembrei de uma versão dele que fiz com mini-M&M. E cheguei a conclusão de que ele seria o bolo perfeito! Isso porque grande parte das atividades semanais das crianças são chamadas de Atelier. Vale tinta, farinha, pó de café, fita crepe, sucata e adesivos. A ideia é estimular a criatividade e deixar a criança brincar e criar.

Nem preciso dizer que meu pitico sempre volta cheio - cheio, cheio, cheio! - de tinta. Pincel pra quê, se podemos usar a barriga? Confesso que já desisti de tirar a tinta toda nos banhos, e às vezes elas duram uns 2 dias. Acho que não sobrou uma peça de uniforme que não tenha sido batizada por tinta! E foi daí a minha inspiração: um bolo cookie atelier!

E como não poderia deixar de faltar: Parabéns, pitico! O segundo de tantos e tantos bolos que faremos para você!