Dec 11, 2013

As papinhas: antes, durante e depois

Estou enrolando há tempos para escrever este post. Ele é comprido, detalhado - quase chato! Mas nesses útlimos dias, troquei mensagens com duas amigas que estão se aventurando pelo mundo das papinhas, me perguntaram suas dúvidas, o que fazer, o que misturar.

Eu vou colocar um disclaimer aqui: as sugestões dadas e papinhas feitas são uma combinação das recomendações do pediatra com as minhas impressões pessoais. Eu acredito que nós, pessoas grandes, adultas e responsáveis, temos os nossos dias de bode de certas comidas. Se até a gente faz da jaca a pantufa num dia de fast-food, por que o pequeno não pode comer uma comida bem molinha, quebrando regras de texturas e combinações, num dia ruim?

Não sei nem se lembro muito bem todos os passos, mas vou tentar. A primeira fruta que dei foi mamão. Não dei banana, por ser mais grudenta. Os bebês sabem fazer a sucção do peito ou da mamadeira, mas engolir é um processo completamente diferente para eles, por isso escolhi algo que fosse mais líquido. No primeiro mês, a fruta era somente um lanchinho, um extra, para começar a aprender a engolir. Quando digo que no começo era uma colherzinha, é verdade! Todo o resto ia para os lados, para a roupa, para o chão. Por um mês, ofereci mamão, pêra, maçã e banana, nessa ordem, uma fruta por semana, sem variações nem misturas.

Depois disso, com 6 meses, começamos as papinhas. Li algumas coisas americanas sobre oferecer só 1 ingrediente por vez, mas o pediatra do Dani não restringiu dessa forma. Começamos com uma tabela, que já publiquei antes. Coloquei aqui no blog receitas de algumas papinhas também. Não passei as papinhas pela peneira. No começo, usava aquela peneirinha do amassador de batatas, que tem furos maiores, ou então o mixer, que deixa pedaços. Liquidificador não funcionou aqui em casa, acho que ficava uma meleca só, e o pediatra não recomendava. Mais pra frente, acabei usando o amassador de batatas que vai pra panela, coloquei uma foto dele neste post aqui, ó

A gema chegou aos 7 meses, e aos 9, em março deste ano, comecei a dar algumas coisinhas separadas. As fotos não são das melhores, todas tiradas com meu telefone. Nunca tive tempo para fazer uma super produção, luz boa e etc. Era a correria, esquenta comida, coloca no prato, deixa a fruta preparada, muitas vezes tudo de uma vez com uma mão só.

Eu comecei a separar os ingredientes assim: comecei só com um. Se eu cozinhasse tudo junto, separava um pouco de batata, por exemplo, amassava e dava a batata em colheradas separadas. Fazia isso por algumas refeições. Na seguinte, separava a abóbora. Quando tudo foi cozido junto, a abóbora obviamente pegava o sabor dos outros ingredientes, mas ainda assim a textura é mantida.


Depois, comecei a separar dois ingredientes. Na foto acima e a esquerda, legumes, lentilha e frango foram cozidos juntos. Fiz um purê com os legumes e separei o frango. Para ficar mais fácil de engolir, o frango bem desfiadinho tem um pouco do purê dos legumes. Macarrão e arroz sempre foram cozidos a parte, então eram mais fáceis de serem separados, mas ficavam meio sem graça. Ao lado, a cenoura (cortada em cubos pequenos, do tamanho de ervilhas) foi separada depois de cozida. Também tem cubinhos de pão, que sempre fizeram sucesso.

Aos 10 meses começamos com clara e peixe, e investi em separar mais ingredientes. Essas fotos foram todas tiradas entre abril e junho de 2013.


A primeira foto tem uma mistureba bem lisinha com ovo mexido a parte, logo que a clara foi liberada. No começo, eu picava o ovo (já cozido) muito bem. Há uns meses, eu faço o ovo e coloco em um potinho separado, daquele jeito que sai da panela mesmo. Ele se diverte comendo sozinho, com as mãos. Recentemente começou a se aventurar com o garfo, a colocar a comida na mesa, colocar de volta no pote, picar e amassar.

Nas outras fotos seguintes, tenho todos os ingredientes separados e amassados. Às vezes, uma cenoura, pão ou beterraba picados. Também fazia misturinhas de ingredientes dois a dois, até porque nem a gente come arroz separado do feijão, né?


Teoricamente, com 1 ano, muitos médicos dizem que a criança pode começar a se alimentar como nós e comer a nossa comida, respeitando os horários das refeições de bebês. Mas eu demorei mais. Tentava um ingrediente separado, uma coisa nossa. Em uma semana, ia super bem! Na seguinte, tudo pra fora. Alguns pratos de gente grande foram um sucesso de cara, como panqueca de ricota com espinafre e o macarrão, mas carne e frango não iam. Nunca-nunca-nunca. Tentei colocar com caldinho de feijão, misturar com um purê, refogar, moer e nada.

Exatamente no dia em que o Dani completou 18 meses, as comidas foram. Todas! Carnes desfiadas, moídas e picadinhas. Assim, fácil, fácil. Alguns dias depois, comecei a montar os seus pratos sem cozinhar nada extra: quibe de ricota amassadinho, arroz 7 grãos com feijão e brócolis. Não sei se ele gostou da comida da empregada nova. Não sei se os dentes pararam de incomodar. Não sei se ele, simplesmente, estava pronto para isso. Mas foi simples assim.


Hoje tivemos arroz integral, feijão, brócolis e carne de panela cozida com batata e cenoura. É claro que os dias de comida molinha não se foram por completo. Quem já passou por uma virose sabe como a criança não consegue comer, e vou apelar para minha infalível combinação de mandioquinha, berinjela, espinafre e frango, sem feijão nem lentilha, tudo amassadinho. Mas por enquanto, vamos com comida de gente grande! Bem amassadinha, para gente pequena.

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