Aug 30, 2013

Bolo de Iogurte

Corrigindo o post anterior, não fiquei totalmente sem cozinhar nesses últimos meses. Passei mais de um mês longe do fogão, mas assim que consegui, fiz sim meu infalível bolo de iogurte. Antes disso, eu explicava a receita passo-a-passo pra minha mãe fazer, porque gritar os ingredientes pela casa toda é muito mais interessante do que abrir o livrinho de receitas.

Carrego essa receita comigo pra todo canto. Já fiz no Chile, na casa de outras pessoas, em qualquer lugar. É um bolo rápido, que não precisa de batedeira nem liquidificador e com ingredientes simples. Ele suja poucos utensílios, para a felicidade do maridón, que fica com a segunda parte do "você cozinha e eu lavo" da história.

Para não dizer que ele é a prova de qualquer erro, conto um experimento que não deu certo: usar iogurte de blueberry. O gosto fica bom, mas o quesito aparência perde alguns pontos, porque o bolo fica meio azul. Aqui do lado tem uma frase de J. Steingarten: "I'm fairly sure that God meant the color blue mainly for food that has gone bad". Ou seja, azul = podre. Não rola, o cérebro não aceita.

Fora este episódio em que eu só convidaria daltônicos ou aconselharia o uso de máscaras, o bolo nunca falhou. Nunca. Nunca. Nunca. E ainda tem a versão nerd-eu-tenho-uma-balança-na-cozinha ou a versão preguiçoso, onde as medidas se baseiam no próprio potinho do iogurte. Só acho mala lavar o pote melecado para pesar o açúcar e a farinha, por isso criei a versão nerd.

Ah, e se você não tem um fouet, pegue 2 garfos e coloque um de frente ao outro, imitando uma das hastes da batedeira. Segure-os com a mesma mão pelo cabo e bata assim. Ou use só um garfo mesmo, batendo bem e cansando um pouco as mãos.

Acabei de fazer esse bolo e, enquanto escrevia o post, devorei uma fatia. Fui a fominha e fiz aquela nhaca, cortei o bolo dentro da forma e coloquei em um pedaço de guardanapo. Quebrou tudo! Mas comer um bolo quente, daqueles que o dedo mal aguenta segurar, vale todas as migalhas pela pia e o bolo desmilinguido.  

Ingredientes

3 ovos
1 pote de iogurte integral (170g)
1 pote de óleo (150g)
1 pote de açúcar (150g)
3 potes de farinha de trigo (330g)
1 colher de sopa de fermento em pó (15g)

Em um recipiente, quebre os ovos, adicione iogurte, óleo, açúcar. Misture bem, sem dó, com um fouet ou garfo(s) até ficar levemente esbranquiçado.

Adicione a farinha e o fermento. Como já disse antes, depois que adicionamos a farinha, temos que tratar o bolo com delicadeza, sem bater demais a massa, para não ativar o glútem e ter um bolo duro a la sola de sapato. Então até pode misturar com um fouet, mas devagar. Eu prefiro usar uma espátula. Sim, suja mais uma coisa! Mas você precisará de algo para despejar a massa do pote na assadeira, não dá pra fazer isso com um fouet ou com um garfo. Não, não dá.

Seja prático: invista em uma assadeira anti-aderente e elimine da sua vida aquele papel gosmento com manteiga e a farinhaça para untar. Como este bolo é pequeno, uso uma forma de bolo-inglês.

Leve ao forno pré-aquecido - ligue o forno antes de começar a receita! - a 180ºC por 35-40 minutos. Faça o teste do palito e pronto!

Aug 27, 2013

Texto: Conversa entre crianças

Não sei quem irá ler esse texto depois de tanto tempo sem escrever. Passei por uma cirurgia que me deixou por quase dois meses de molho. Ainda não consigo me aventurar muito, comilanças ficaram bem limitadas às refeições caseiras e olhe lá.

E nesse tempo, li um texto em um dos livros da Elizabeth Monteiro que achei super legal. Não é muito curto, mas vale a pena! E se vamos exterminar os paus nos gatos, que assassinemos de uma vez as Cucas e os Anjos destruidores de relacionamentos!

- E aí, véio?
- Beleza, cara?
- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.
- Quer conversar sobre isso?
- É a minha mãe. Se lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me botando um terror, sabe?
- Como assim?
- Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo doido aí. Mandou dormir logo se não uma tal de Cuca vinha me pegar. Mas eu nem sei que é essa Cuca, pô. O que eu fiz pra essa mina querer me pegar? Você me conhece desde que eu nasci. Já me viu mexer com alguém?
- Nunca.
- Pois é. Mas o pior veio depois. O papo doido continuou. Minha mãe disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai tinha ido pra roça e minha mãe, passear. Mas, tipo, o que o meu pai foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?
- Como assim, véio?
- Pô, ela deixou bem claro que minha mãe tinha ido passear. Então ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois estão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!
- Calma, mano. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.
- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre minha mãe.
- Tipo o quê?
- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato. Assim, do nada. Maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!
- Caramba! Mas por que ela fez isso?
 - Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.
- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara.
- E sabe a Francisca, ali da esquina?
- A Dona Chica? Sei, sim.
- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá, paradona, admirada, vendo o gato berrar de dor.
- Putz grila. Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.
- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe mesmo. Ela me contou isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter feito essa selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de careta. Eu não achei legal, né? Aí ela falou que ia chamar um boi com cara preta pra me levar embora.
- Nossa, véio! Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com um filho.
- E é ruim saber que o casamento deles não está dando certo... Um dia ela me contou que lá no bosque, no final da rua, mora um cara que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela chama de "Anjo". E ela disse que o tal do "Anjo" roubou o coração dela. Ela até falou que, se fosse dona da rua, mandava colocar ladrilho em tudo, só pra ele passar desfilando e tal.
- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.
- É. Só sei que eu tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes, ela fala algumas coisas sem sentido nenhm. Ontem mesmo ela disse que a vizinha cria perereca na gaiola... Já viu? Essa rua só tem doido.
- Vixe, mas a vizinha não é sua mãe?
- Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito.