May 9, 2013

Caldinhos

Estava conversando com uma amiga mãe de dois. Dois que não curtem comer muito. Ela estava aqui em casa, conversa vai, conversa vem, e acabou assistindo o almoço do Dani. Chegou uma hora que eu fiquei até sem graça com como - e quanto - ele come, e ela falando da dificuldade de fazer os filhos comer. Ah, e aí ele acabou o almoço e ainda mandou ver uma banana inteira.

É simplesmente desesperador para uma mãe ver que seu filho não come muito. E não adianta o pediatra, a revista, o diabo a quatro falarem que isso é normal. O pior, como estávamos falando, não é nem quando eles não comem, mas quando eles cospem. Ah, porque mãe é gente e dá vontade de fazer uma guerra de papinha e cuspir também.

Mas por que comecei a escrever sobre isso? Só nessa conversa que tivemos, achamos algumas diferenças nos hábitos alimentares das crianças. Tenho sempre em casa batata doce, mandioquinha, abóbora e, claro, a batata comum. Ela comentou como na casa dela, apesar de ser um ingrediente que ela gosta, não tem o costume de comer batata doce. Que a batata era o mais comum, e que ela ia comprar naquela semana uma batata doce e assar para o filho.

Ela também viu como eu ralo a beterraba (descascada e crua) e cozinho. Não precisa de nada, basta deixar um tempããão na panela, em fogo baixo. Às vezes reponho a água, para não secar. Quando está quase no ponto, deixo a água secar. Umas folhinhas de salsinha, um talo de cebolinha, e às vezes até uma sálvia ou alecrim deixam o cozido super perfumado. Chique? Só porque você viu no cardápio daquele restaurante uma massa com manteiga de sálvia. Não tem nada demais, não custa caro e é super fácil de se encontrar.

Expliquei que faço a comida dele a cada dois dias. Não congelo nada fora os grãos - e gente, congelar batata e beterraba fica horrível! Parece uma esponja quando descongela. Não lembro o que tinha no cardápio do Dani naquele dia, mas aqui está a combinação de hoje com foto, já que estava cozinhando de manhã e pensando neste post. Guardo tudo em potes de vidro na geladeira. Hoje fiz um caldo de grão de bico, abobrinha ralada e refogada, brócolis no vapor e purê de mandioquinha, batata doce e batata.

Outra comentário dela foi que a única coisa que tem 100% de aceitação é o caldo de feijão. Esse é o salvador da pátria em restaurantes, e viva! Muitos bares e botecos tem também. Afinal, quem disse que a gente não pode curtir uma cervejinha em uma tarde na calçada com nossos piticos ao lado? Eu não vejo problema algum, muito pelo contrário.

E falei para ela, se o caldo de feijão era tão bem aceito, por que não fazer outros caldos? O Dani adora caldinho de grão de bico! Ela me olhou com uma cara de espanto. Explico: eu não curto a casca do grão de bico. Entendo que ele está na fase de entender consistências, desenvolver paladar e comer de tudo. Mas não vejo muito sentido em obrigá-lo a comer uma consistência que nem eu curto. Então um dia resolvi passá-lo pela peneira, e foi um super sucesso.

Vou explicar com o grão de bico, mas vale fazer com lentilha e qualquer feijão (carioquinha, preto ou branco). Compro um pacote no supermercado de grão de bico, daqueles de 1/2kg. Deixo de molho de um dia pro outro, trocando a água pelo menos 3 vezes. Dizem que isso reduz os gases depois. Sinceramente eu não sinto diferença, mas pro pitico, na dúvida, eu faço.

Coloco em uma panela de pressão, cubro com água e deixo cozinhar por 30 minutos depois que pega a pressão. Isso é mais tempo do que se eu fizesse pra gente, mas assim fica mais molinho. Não jogo a água fora, separo tudo em potes e congelo porções que rendem duas refeições. Isso porque, apesar de fazer as papinhas a cada dois dias, eu não dou feijão, grão de bico ou lentilha no jantar.

No dia da papinha, descongelo o grão de bico em uma panela com um pouco de água. Deixo ali cozinhando por mais uns 40 minutos. Fica bem molenga mesmo. Às vezes coloco um pedaço de frango, fica um sabor super gostoso. Hoje eu coloquei um talo de cebolinha e um teco de carne. Não é pra deixar a água secar, já que ela faz parte do caldo depois. Fica um fundinho de água, mais ou menos 1cm. Se faltar, dá pra colocar depois também.

Despejo tudo em uma peneira e amasso com uma colher até as cascas ficarem sequinhas. É mala fazer isso, já aviso. Tentei tirar uma foto para mostrar como fica a consistência, é um pouco mais mole do que homus.

Na hora de servir, esquento um pouco (deixo o caldo morninho), coloco um fio de azeite extra virgem e um tiquico de sal. Sim, sal!! Não percebi nenhuma mudança significativa desde que comecei a colocar sal na comida dele, mas eu acho que fica mais gostoso.

O caldinho pode ser servido sozinho ou em cima de um arroz ou purê. O Dani gosta de todos os jeitos. Poderia também deixar um pouco mais mole e adicionar algum macarrão cozido. A foto ao lado é do almoço dele de hoje. No jantar é igual, mas sem o caldinho. Ainda bem que ele ainda não reclama, eu ia achar o tédio comer a mesma coisa 4 vezes seguidas. Pra mudar um pouco, deixo a abobrinha em um prato a parte e ele come sozinho.

Ah, e nunca testei com o grão de bico, mas se sobrar caldo de feijão ou de lentilha, pode virar sopa de gente grande! Refogue um pouco de cebola, um dente de alho amassado, jogue no caldo, um pouco mais de sal, quem sabe um baconzinho crocante e voilá!

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