Feb 28, 2013

As papinhas do Dani

Papinhas é um assunto muito interessante e muito chato. Quem não gosta de cozinhar ou não tem filhos, não entende qual a sua importância. Mas acho que é um momento muito marcante na vida de uma mãe. São os sinais da independência, dos gostos e vontades. É o sentimento de orgulho quando ele come bastante, e o de fracasso, desespero e tristeza quando ele não come.

Andei conversando bastante sobre isso com algumas mães. No Chile, me aventurei fazendo combinações diferentes e cozinhei para duas crianças com gostos completamente diferentes. Descobri que uma papinha de macarrão, abobrinha, espinafre e frango, com uma aparência esquisita e meio grudenta, era um super sucesso. Encontrei alguns tipos diferentes de abóboras, me diverti com o macarrão cabelinho de anjo que já vinha previamente cortado e com as lentilhas em tamanhos diferentes.

Troquei emails com uma amiga, que deu risada ao descobrir que o Dani nunca comeu papinha pronta. "Quem manda ter mãe personal chef! Os mortais comem papinha Nestlè desde sempre!". Conversei com amigas-de-amigas-de-amigas que dão bolo de chocolate, salgadinhos e leite com açúcar para os filhos. Deu até um arrepio.
 
Já escrevi um post sobre [papinhas] antes, bem no começo, quando ele ainda nem comia papinha no jantar. Desde então achei algumas combinações mais interessantes, fiquei super preocupada quando ele não quis comer nada por dias por causa da virose, fiz combinações que achei que ele iria gostar, algumas com sucesso e outras não.

E hoje me falaram para compartilhar tudo isso, meu caderninho de papinhas e como foi cada coisa. Claro que eu tenho tudo anotado! Hoje em dia já perdi um pouco o hábito, escrevo raramente, e voltei a escrever recentemente depois da virose, para ver como estavam indo. Mas ele me ajudou bastante no começo.

Tabela de combinações grudada na geladeira

Basta pegar um ingrediente de cada uma das quatro primeiras colunas, adicionar a proteína, água, cheiro verde e azeite no final.


Eu cozinho a cada dois dias, e uso mais ou menos a seguinte quantidade, que rende 4 porções:

Lembrando que eu pego um item de cada coluna, né? Se não vai virar um super grude gigante.

Minha opinião sobre alguns ingredientes

Não gosto de acelga, chuchu, cará e inhame. Como não compro os ingredientes para as comidas dele separados, faço uma lista conjunta com as refeições de casa também, exclui esses ingredientes das combinações. Considerando todas as outras opções, não acho que estou compromentendo o desenvolvimento do paladar dele.

Como falei antes, principalmente no começo, eu colocava sempre um ingrediente adocicado (beterraba, mandioquinha ou cenoura), já que as primeiras comidas são frutas. Hoje acho que não faz tanta diferença.

Couve manteiga não amolece. Na primeira vez que usei, coloquei umas folhas meio grandes e depois fiquei catando tudo para bater no mixer. Achei mais prático cortar bem miudinho, como salsinha.

Sempre ralo cenoura e beterraba, que demoram mais para cozinhar.

Eu cozinho o arroz separado do resto com 3x de água, para ficar mais molinho. Cozinho o macarrão (cabelinho de anjo) também a parte pelo dobro do tempo que está na embalagem. Papinhas com arroz e macarrão, no dia seguinte, ficam mais grudentas porque eles absorvem água, então sempre coloco um pouco de água quando vou esquentar em banho-maria.

Não uso caldo de carne ou frango congelados. Sempre cozinho tudo junto, já que deixo na panela por até 1h30. Já tentei bater a proteína na papinha. O frango até que fica bom, mas a carne achei horroroso. Fica uma consistência meio arenosa. Considerando o tempo de cozimento, acho que não precisa amassá-los junto.

Compro a cada duas semanas 600g de carne e 600g de peito de frango. Congelo em porções de 200g. Não descongelo, coloco pra cozinhar direto na panela junto com os legumes.  

Nunca coloquei sal.

Utensílios

Eu tentei passar a papinha na peneira, foi um desastre. Às vezes uso o mixer para bater o macarrão e o arroz. Com ele, é fácil de controlar a mistureba, para ainda sobrar alguns pedacinhos. Eu tenho uma panela de inox sem anti-aderente, uma tábua e uma bucha separados. Coloco as comidas prontas em potes de vidro com tampas que vedam bem (são carésimos esses potes, mas adoro) e coloco o peso e data colados com uma fita crepe (porque ela não deixa cola).

A primeira papinha

1/2 mandioquinha picada + 1/4 de beterraba ralada + 8 folhas de espinafre + 1 dedo de cebolinha + 50g de carne + 300mL de água. Coloquei tudo em uma panela, cozinhei até praticamente acabar a água (1-1h30). Aí tirei a proteína e a cebolinha da mistura e bati com o amassador de batatas. As folhas de espinafre, no começo, eu separava e batia em um mixer. Antes de servir, coloquei uma colherzinha de azeite extra virgem (ele não deve ser cozido). No primeiro dia, ele comeu 40g. Nos dias seguintes, ele foi aumentando em incrementos de 20g.

Combinação que ele sempre adora

3 batatas + 1/2 abóbora + 200g de frango + 1 maço de brócolis + algumas folhas de salsinha + água até cobrir. Cozinhe até quase acabar a água. Retire o frango antes de amassar. Rende 4 refeições de 250-300g. Em um dia ruim, ele come 180g. Em dias de comilança, vão 290g.

Gostos do Dani

- ele não curte lentilha nem agrião; nas frutas, manga, banana, mamão e pera são aceitos. Aliás, nos primeiros dias de virose, ele só tomava leite e comia pera raspada, nada mais. Melão vai de vez em quando, mas ele curte mesmo aquele melão rajado, laranja por dentro. Não curte pêssego nem uva.
- ele gosta mais de frango do que de carne.
- macarrão e abóbora são sempre bem-vindos.

Papinha pós virose

2 batatas + 1/2 abóbora + 4 mandioquinhas + 200g de peito de frango. Sem a verdura, que solta mais o intestino. Coloquei só 1/2 colher de azeite e não coloquei o cheiro verde. Deixei com uma carinha bem de purê. Ele comia bem pouquinho, voltou a comer bem no sétimo dia da virose.

Papinha a jato (praquele dia em que eu queimei a papinha)

1 abobrinha + 1 batata + 50g de carne + punhado de espinafre + pedaço de cebolinha + 300mL de água. Cozinha em 30min.

Adição dos grãos

O primeiro grão que coloquei foi ervilha, 1 xícara de ervilha para 2 receitas de papinha. Ele não curte lentilha de jeito nenhum. Depois, adicionei feijão (pré-cozido na pressão somente em água). Ainda não tentei grão de bico.

Adição de gema

O pediatra recomendou que começasse a colocar gema a partir dos 7 meses duas vezes por semana. Começa com 1/4 na primeira semana e vai aumentando 1/4 a cada semana, até chegar em 1 gema depois de 1 mês. Não percebi nenhuma diferença, mesmo quando não amassei bem e deixei alguns pedacinhos.

Virão mais posts, podem ter certeza!

Feb 18, 2013

Viajando com um bebê

Há algum tempo, escrevi um post para o [Inquietos blog] sobre minha experiência em viajar com o Milo dos EUA para o Brasil. Para ler o post, [clique aqui]. De tempos em tempos, recebo emails de outros donos de bichanos com dúvidas, ideias e sempre penso como foi legal ter escrito e compartilhado isso com outras pessoas. Tenho certeza de que se hoje alguém me perguntasse, eu não lembraria com tantos detalhes como foi tudo.

E pensando nisso, resolvi compartilhar a minha viagem com um bebê de 8 meses. O que isso tem a ver com comida? Fora as papinhas que fiz, como faço aqui, a cada dois dias, nada. Peguei dicas de duas amigas viajadas, mas não tenho muitas amigas com filhos, então várias coisas foram naquele feeling - e imagina, né? Feeling de mãe quer dizer excesso de bagagem!

Vamos lá, bebês tem passaporte! Ele é válido por 1 ano e, diferentemente dos passaportes de pessoas com mais de 3 anos, você tem que levar a foto 5x7. Poucas pessoas se atentam para esse detalhe, e claro que tem um tio com uma máquina ali ao lado. Mas você consegue imaginar a tarefa de tirar uma foto do seu filho na cabine às pressas?

Fomos para Santiago, no Chile, passar 12 dias em casas de amigos chilenos. Pensamos em passar menos tempo, mas a sugestão foi de uma das pessoas que nos hospedou: em uma viagem mais longa, teríamos tempo para a adaptação do Dani e para curtir depois. Eu me sentia mais segura indo para um lugar onde tínhamos amigos locais, com vidas e hábitos parecidos com os meus do que se eu estivesse indo para a Bahia, onde não conheço nada nem ninguém, mesmo estando no meu país. É nóia minha (e mãe tem muita nóia), mas lá eu sabia que haveria uma boa indicação de pediatras e hospitais caso necessário.


A comodidade de ficar na casa de alguém também ajudou muito a manter alguns hábitos dele, como as papinhas que eu faço. Aí surgiu uma dica de uma amiga: acostume seu filho a comer a papinha pronta, dando uma vez a cada 1-2 semanas. Pois é, essa dica só veio quando eu já estava lá. Então no primeiro dia, o almoço do Dani foi uma mamadeira e uma banana, sentados no saguão do aeroporto, porque ele não queria a papinha pronta de jeito nenhum.

Algumas dicas para o avião também foram legais, mas acabei não testando todas porque o Dani hibernou. Me falaram para levar, além da papinha pronta e seus apetrechos (babador, colher e um saquinho para colocar tudo sujo depois), mamadeiras com leite em pó, e qualquer aeromoça te ajuda a misturar um pouco de água de chá e um pouco de água fria... E também a esquentar um pouquinho mais o leite que ficou frio. Também levei umas 4 chupetas, tem a que voa, a que cai, a que some, enfim, e elas ajudam muito a equalizar a pressão nos ouvidos. Levei, mas não usei, 2 roupas extras para mim e para o maridão, em caso de vômito. Eu tinha, na mala de mão, uma toalha pequena de rosto, lenços umedecidos e lenços comuns, 3 mudas de roupa do Dani (não só para acidentes, mas caso a mala dele fosse passear por algum lugar) e fralda, mas acho que esse item ninguém iria esquecer. Também levei uma farmacinha - feita a partir de uma lista passada pelo pediatra - com Tylenol, Dramin e alguns outros remédios básicos. Os dois foram muito úteis na volta, pois nós dois pegamos uma virose por lá.

Mas a dica MAIS preciosa da viagem foi "Leve o leite em pó", já que a marca que o Dani toma (Enfamil) não é vendida no Chile. O ar mais seco fazia com que ele sentisse mais sede, e principalmente nos primeiros dias, se ele estivesse de bode, cansado, num lugar diferente, tomava uma mamadeira a mais mas não tomava água nem suco. Com o cansaço, eles podem ficar com preguiça de comer, mas uma mamadeira é mais fácil e bem aceita. Não seria nada legal ficar aflita porque o filho pulou uma refeição, pensando se ele está com fome e etc.

E aí teve um outro fator: a virose. E por 3 dias, o Dani não quis saber de comida. Nem de muita coisa qualquer, mas a gente fazia a mamadeira em intervalos de 3 em 3 horas e oferecia. Imagina ficar fazendo continha se a quantidade vai ser suficiente ou não?

E tiveram todas as coisas deliciosas: as frutas super doces e gostosas chilenas, passear por lugares diferentes, fazer papinhas com legumes gostosos, interagir com crianças de idades tão parecidas com a dele... Confesso: bateu aquela agonia na véspera da viagem, a ansiedade, o "será que esqueci algo?", a dúvida se deveríamos ter ido sozinhos, se a viagem deveria ser mais curta. Mas não, foi ótimo e recomendo.