Dec 12, 2013

Pão de Cebola

Há alguns meses, alguém lá pelo mundo das redes sociais compartilhou uma receita de pão de cebola. Não me lembro quem foi. Se você estiver lendo essa receita e ela for sua, me conta, por favor?

Pois o tempo passou e resgatei a tal receita. Achei que tinha farinha e alho demais, resolvi reduzir essas quantidades. Falava em fermento fresco... Oh, well! Eu tinha o seco biológico, e foi esse mesmo. Pensando bem, com tantas alterações assim, mesmo que o autor dessa receita leia este post, provavelmente nem vai reconhecê-la!

Vale dizer que não sou fã de cebola. COMO ASSIM?! Então por que raios a pessoa faz um pão de cebola?! Porque tenho um marido que gosta de cebola, uai! E também porque minha relação de ódio à cebola se restringe a sua forma crua e crocante. Mas claro que eu fiz uma versão bem levinha, e lá vai:

Pão de cebola

Para a massa:
1 pacote de fermento biolófico seco de 10g
1 colher de sopa de açúcar
1½ xícara de leite integral morno
2 colheres de sopa de manteiga derretida
1 colher de sopa de azeite
1 colher de chá de sal
1 colher de sopa de salsinha picada
½ cebola ralada
2 dentes de alho amassados
1 xícara de chá de farinha de trigo integral
3 xícaras de chá de farinha de trigo

Em um recipiente, misture o fermento em pó, açúcar e um pouco de leite morno para diluir tudo. Deixe ali descansando. Cuidado para não colocar em um pote muito pequeno, pois a mistura cresce.

Em um outro recipiente grande (onde vá caber todo o seu pão), coloque o restante do leite, manteiga, azeite, sal, salsinha, cebola e alho. Misture e adicione a farinha de trigo integral. Coloque também a mistura do fermento e vá, aos poucos, colocando a farinha de trigo. Misture bem com as mãos.

A massa não pode ficar ressecada, mas ela fica leeeeevemente grudentinha. Ela tem que formar uma bola só e não deixar massa grudenta entre os seus dedos. Se esse for o caso, polvilhe um pouco mais de farinha, misture e faça isso até a massa parar de grudar. Sove por uns 10 minutos.

Eu untei uma assadeira com azeite e dividi a massa em 12 bolinhas pequenas. Pesei as bolinhas, elas tinham em média 70g. Coloquei uma ao lado da outra e deixei descansando por 1 hora, até dobrar de tamanho. Hoje o dia não está muito quente (uns 20 ºC), o tempo para a massa crescer depende do calor, da umidade do ar e da felicidade da massa também, portanto, faça uma massa feliz. Brincadeira, mas eu tenho a teoria de que fazer pão em um dia ruim, não dá certo.

Leve para assar em forno pré-aquecido a 180 ºC por 20-25 minutos, até a massa ficar dourada.

Para finalizar:
2 colheres de sopa de manteiga derretida
½ colher de chá de sal
2 colheres de sopa de azeite

Misture todos os ingredientes e pincele sobre os pães. Ainda joguei uns flocos de sal Maldon (flor de sal em flocos), mas você poderia jogar sal grosso comum, alecrim ou nada mesmo. A receita original incluia um pouco de pasta de alho com a manteiga, mas achei que poderia ficar muito forte e não coloquei. Leve de volta ao forno até dourar, demora uns 5 minutos.

Dec 11, 2013

As papinhas: antes, durante e depois

Estou enrolando há tempos para escrever este post. Ele é comprido, detalhado - quase chato! Mas nesses útlimos dias, troquei mensagens com duas amigas que estão se aventurando pelo mundo das papinhas, me perguntaram suas dúvidas, o que fazer, o que misturar.

Eu vou colocar um disclaimer aqui: as sugestões dadas e papinhas feitas são uma combinação das recomendações do pediatra com as minhas impressões pessoais. Eu acredito que nós, pessoas grandes, adultas e responsáveis, temos os nossos dias de bode de certas comidas. Se até a gente faz da jaca a pantufa num dia de fast-food, por que o pequeno não pode comer uma comida bem molinha, quebrando regras de texturas e combinações, num dia ruim?

Não sei nem se lembro muito bem todos os passos, mas vou tentar. A primeira fruta que dei foi mamão. Não dei banana, por ser mais grudenta. Os bebês sabem fazer a sucção do peito ou da mamadeira, mas engolir é um processo completamente diferente para eles, por isso escolhi algo que fosse mais líquido. No primeiro mês, a fruta era somente um lanchinho, um extra, para começar a aprender a engolir. Quando digo que no começo era uma colherzinha, é verdade! Todo o resto ia para os lados, para a roupa, para o chão. Por um mês, ofereci mamão, pêra, maçã e banana, nessa ordem, uma fruta por semana, sem variações nem misturas.

Depois disso, com 6 meses, começamos as papinhas. Li algumas coisas americanas sobre oferecer só 1 ingrediente por vez, mas o pediatra do Dani não restringiu dessa forma. Começamos com uma tabela, que já publiquei antes. Coloquei aqui no blog receitas de algumas papinhas também. Não passei as papinhas pela peneira. No começo, usava aquela peneirinha do amassador de batatas, que tem furos maiores, ou então o mixer, que deixa pedaços. Liquidificador não funcionou aqui em casa, acho que ficava uma meleca só, e o pediatra não recomendava. Mais pra frente, acabei usando o amassador de batatas que vai pra panela, coloquei uma foto dele neste post aqui, ó

A gema chegou aos 7 meses, e aos 9, em março deste ano, comecei a dar algumas coisinhas separadas. As fotos não são das melhores, todas tiradas com meu telefone. Nunca tive tempo para fazer uma super produção, luz boa e etc. Era a correria, esquenta comida, coloca no prato, deixa a fruta preparada, muitas vezes tudo de uma vez com uma mão só.

Eu comecei a separar os ingredientes assim: comecei só com um. Se eu cozinhasse tudo junto, separava um pouco de batata, por exemplo, amassava e dava a batata em colheradas separadas. Fazia isso por algumas refeições. Na seguinte, separava a abóbora. Quando tudo foi cozido junto, a abóbora obviamente pegava o sabor dos outros ingredientes, mas ainda assim a textura é mantida.


Depois, comecei a separar dois ingredientes. Na foto acima e a esquerda, legumes, lentilha e frango foram cozidos juntos. Fiz um purê com os legumes e separei o frango. Para ficar mais fácil de engolir, o frango bem desfiadinho tem um pouco do purê dos legumes. Macarrão e arroz sempre foram cozidos a parte, então eram mais fáceis de serem separados, mas ficavam meio sem graça. Ao lado, a cenoura (cortada em cubos pequenos, do tamanho de ervilhas) foi separada depois de cozida. Também tem cubinhos de pão, que sempre fizeram sucesso.

Aos 10 meses começamos com clara e peixe, e investi em separar mais ingredientes. Essas fotos foram todas tiradas entre abril e junho de 2013.


A primeira foto tem uma mistureba bem lisinha com ovo mexido a parte, logo que a clara foi liberada. No começo, eu picava o ovo (já cozido) muito bem. Há uns meses, eu faço o ovo e coloco em um potinho separado, daquele jeito que sai da panela mesmo. Ele se diverte comendo sozinho, com as mãos. Recentemente começou a se aventurar com o garfo, a colocar a comida na mesa, colocar de volta no pote, picar e amassar.

Nas outras fotos seguintes, tenho todos os ingredientes separados e amassados. Às vezes, uma cenoura, pão ou beterraba picados. Também fazia misturinhas de ingredientes dois a dois, até porque nem a gente come arroz separado do feijão, né?


Teoricamente, com 1 ano, muitos médicos dizem que a criança pode começar a se alimentar como nós e comer a nossa comida, respeitando os horários das refeições de bebês. Mas eu demorei mais. Tentava um ingrediente separado, uma coisa nossa. Em uma semana, ia super bem! Na seguinte, tudo pra fora. Alguns pratos de gente grande foram um sucesso de cara, como panqueca de ricota com espinafre e o macarrão, mas carne e frango não iam. Nunca-nunca-nunca. Tentei colocar com caldinho de feijão, misturar com um purê, refogar, moer e nada.

Exatamente no dia em que o Dani completou 18 meses, as comidas foram. Todas! Carnes desfiadas, moídas e picadinhas. Assim, fácil, fácil. Alguns dias depois, comecei a montar os seus pratos sem cozinhar nada extra: quibe de ricota amassadinho, arroz 7 grãos com feijão e brócolis. Não sei se ele gostou da comida da empregada nova. Não sei se os dentes pararam de incomodar. Não sei se ele, simplesmente, estava pronto para isso. Mas foi simples assim.


Hoje tivemos arroz integral, feijão, brócolis e carne de panela cozida com batata e cenoura. É claro que os dias de comida molinha não se foram por completo. Quem já passou por uma virose sabe como a criança não consegue comer, e vou apelar para minha infalível combinação de mandioquinha, berinjela, espinafre e frango, sem feijão nem lentilha, tudo amassadinho. Mas por enquanto, vamos com comida de gente grande! Bem amassadinha, para gente pequena.

Dec 9, 2013

Pudim!

Pra mim, pudim é sem furinho. Gosto dos densos, daqueles que grudam na colher.

Resolvi testar um pudim diferente. Trouxe do Chile uma latinha de Leche Evaporada para algum dia fazer um suspiro limeño. A base dele lembra um creme de confeiteiro com leite condensado, e por cima vai um merengue finalizado com canela. Confesso que bateu uma preguiça master de fazer o merengue. Onde já se viu ser tão cara-de-pau assim, mas é verdade. Merengue bom-bom-bom dá muito trabalho. E fazer merengue-merreca não ia rolar.

O tempo passou e meu (ou é minha?) Leche Evaporada chegou perto do vencimento. Resolvi testar a minha tradicional e infalível receita de pudim, substituindo a lata de leite pelo Leche. Honestamente, não sei bem o que é esse ingrediente, mas pelo que li na embalagem, é leite integral com um regulador de acidez e espessante. Tem uma carinha do soro do creme de leite brasileiro, mas não é tão gorduroso. Simples assim.

Pois o pudim ficou incrível! Ficou menos doce do que o tradicional e um pouco mais denso, mas não tão pesado quanto o pudim com creme de leite (testei uma vez e não curti). Resolvi deixar o pudim mais metido e coloquei um pouco de baunilha de verdade, os pontinhos da fava. Difícil ficar ruim, né?

A receita original segue abaixo. E pra quem estiver viajando e quiser fazer um contrabando de Leche Evaporada, basta subsituir o leite integral por 1 latinha. Super recomendo!


Pudim

1 lata de leite condensado
1 lata de leite
2 ovos
1/3 de fava de baunilha

Calda
1 xícara de açúcar
1/2 xícara de água

Coloque o açúcar na forma de pudim e jogue delicadamente a água por cima. É importante que a água forme uma camada sobre o açúcar. Se, em algum ponto, o açúcar ficar na superfície, em contato com as laterais, a calda vai cristalizar. Cozinhe em cima do fogo no fogão até ficar dourado e desligue o fogo. Cuidado! A calda está lá, toda pálida, e de repente ela fica dourada. Cuidado também com queimaduras, é uma das piores que existem na cozinha.

Com um pegador ou panos, segure a forma e vá girando, espalhando a calda e cobrindo toda a parte interna da forma. A forma esfria e a calda endurece. Não esqueça o "furo", no meio da forma! Use uma colher para cobrir sua superfície e deixe esfriar.

Misture todos os ingredientes do pudim - leite condensado, leite, ovos e baunilha - em um recipiente. Se quiser um pudim menos metido, use uma tampinha de essência de baunilha. Eu uso um fouet para misturar tudo, mas pode bater no liquidificador também.

Despeje o líquido sobre a forma e leve para assar em banho-maria, em forno pré-aquecido a 180ºC por 40-60 minutos.

Quando o pudim amornar, coloque-o na geladeira por pelo menos 2 horas.

Nov 3, 2013

Brócolis gelado

Há muitas coisas que nos surpreendem no paladar dos filhos. O Dani AMA mexerica. Pode estar aguada, azeda, super forte, tanto faz. Ele vai comer enquanto tiver no prato. Mas não curte tanto a versão suco. 

É capaz de devorar 1/4 de melão depois de uma super refeição, ainda mais se puder comer com as mãos. Eu tenho um "melon baller", um utensílio que faz bolinhas de qualquer coisa. Eu corto o melão assim, fica em um tamanho perfeito para ele pegar e comer sozinho.

Banana já não é um hit. A fruta tão óbvia, docinha, que agrada a quase todas as crianças, não chega no top 10 da lista de casa. Perde de lavada pra kiwi, figo e pêra.

Berinjela e abobrinha fazem parte da lista dos legumes favoritos. Cenoura e batata, outros itens tão óbvios, vão com um pouco de cara feia. 

Agora a super surpresa do dia foi o brócolis gelado. Aqui em casa, eu cozinho no vapor um maço e vamos comendo aos poucos por uns 2 dias. Eu já sabia que o Dani adorava comer brócolis sozinho durante a refeição. Sei lá porquê, resolvi tirar o brócolis da geladeira e colocar em um potinho, e foi devorado que nem pipoca. Num dia quente como esse, faz mais sucesso do que um sorvetinho. Chegamos ao ponto semi-presidiário, dele ficar batendo na porta da geladeira, querendo mais, falando dá-dá-dá bó!

Ainda bem que o Milo, nosso cachorro, também adora brócolis. Tenho um super aspirador a jato que cata todas as florzinhas perdidas. E brócolis, até onde eu sei, não mancha (muito) o tapete, o sofá e a roupa dele. E a lição que fica, mais uma vez, é que para as crianças tudo é possível. Comida é divertido, tem que ser assim. E os nossos padrões óbvios não necessariamente são os deles. Afinal de contas, brócolis é mais gostoso do que gelatina ou sorvete!

Sep 17, 2013

Papinhas e seus nutrientes

Quando eu estava na faculdade - de engenharia de alimentos - fiz parte da empresa júnior por um tempo. Na época, acabou caindo para mim um projeto de uma senhora que queria comercializar suas papinhas caseiras e entender como poderia fazer isso.

A ideia era que os alunos, em conjunto com os professores, estudavam a viabilidade do projeto. Acabei aprendendo muito, e nem imaginava como isso seria útil hoje. O projeto deu certo? Não. Um dos principais problemas era o custo de esterilização das papinhas. Na época, as papinhas industrializadas eram esterilizadas em autoclave, que basicamente combina altas temperaturas e pressão. Assim, a papinha era exposta a mais de 140ºC, o que garantia que nada ali cresceria depois do envase. Na mesma máquina que acontecia a esterilização do produto também era feita a embalagem. Quando a papinha esfria, forma vácuo e se tem a garantia de que nenhuma contaminação acontece. Essas mesmas temperaturas não são atingidas quando o pote da papinha é colocado em banho-maria, então não tinha muito como fazer de uma forma mais caseira para comercializá-la e garantir que estariam de acordo com a legislação vigente na época.

Na faculdade a gente também estuda como o calor é um dos maiores responsáveis pela perda de vitaminas nos alimentos. Sempre brinco que o ideal seria que a gente comesse brócolis cru - e isso é feito, por exemplo, nos Estados Unidos. Achei bem esquisito a primeira vez que vi um brócolis ao lado dos palitos de cenoura e salsão, servidos com um dip. Mas sim, teoricamente nesta forma há mais vitamina do que no brócolis cozido.

Também aprendemos como os processos de congelamento desestruturam a água presente no alimento. Falei grego? É simples: sabe aquela lasanha congelada? E a poça de água que sai quando é aquecida? Simples assim: quando congelamos algo, a molécula de água sofre uma expansão e quebra estruturas ao seu redor antes de congelar. Por isso, quando descongelamos algo, fica um monte de água sobrando. Em indústrias, não se usa (não deveria, pelo menos) um freezer como o de casa. Eles fazem um processo de congelamento rápido, a temperaturas muito baixas. Quanto mais rápida a água é congelada, menos água sai depois. Quando essa aguacera toda se forma, moléculas expandem e o carnaval acontece ali, microscopicamente, imagina a coitada da vitamina ao lado como sofre?

E daí, né? Hoje saiu no caderno da Folha Equilibrio uma reportagem sobre papinhas com a seguinte chamada: Papinha industrializada é mais doce e tem menos nutrientes que a feita em casa. Ahhh! Jura? E o que me chamou a atenção é que se fala sobre a quantidade de proteínas e energia, tem um super foco no sal e no açúcar, mas ninguém fala dos outros nutrientes.

Uma das recomendações nesta reportagem é que os ingredientes sejam congelados uma vez por semana e oferecidos aos poucos e em combinações diferentes. Isso acho que é muito pessoal, tem gente que não tem paciência, tempo, empregada ou o que for para fazer a comida do filho sempre. Cada um com seu motivo, acho que a opção de congelar ainda é melhor do que a papinha industrializada. Mas eu de-tes-to comida congelada, e convido todos a fazerem o seguinte teste: cozinhe uma batata em água até ficar macia. Amasse - ou se quiser, nem amasse, deixe assim mesmo - e congele. Ela vira uma esponja. Sim, literalmente uma esponja! Quando for descongelada, aperte e você vai ver que sai água. E tente comer. Eu acho a consistência tão esquisita. Isso não acontece com todos os outros alimentos, mas se o coitado do brócolis já perde tantas vitaminas no cozimento, o que você acha que acontece quando ele é congelado, hein?

Sep 15, 2013

Meu filho só come macarrão!

Quem já não ouviu de uma mãe essa frase, né? O pior não é a frase em si, mas a culpa que vem de acompanhamento (ou até mesmo como prato principal). Parece que a mãe é absolutamente responsável pelo apetite do filho, pelas preferências alimentares dele e pelo seu paladar. NÃO! Eu não acredito nisso. Também não acredito que o filho mais velho come melhor (ou pior), o segundo filho come mais (ou menos), que menino come mais do que menina nem em nada do tipo.

Eu acredito que temos que expor nossos filhos a todos os tipos de alimentos possíveis quando pequenos. Percebo nitidamente agora, que o Dani tem 1 ano e 3 meses, o desenvolvimento do paladar, suas preferências e experimentos. Acho que temos que chegar aqui com um repertório legal, com refeições que tenham diferentes tipos de alimentos, para que eles possam gostar de muitas coisas. Sempre volto no exemplo do purê de grão de bico, como revezamento da lentilha e do feijão, que também pode ser branco, carioca ou preto, e na surpresa de uma amiga quando viu o Dani comendo aquela pastinha com cara de homus. Quantas pessoas não se surpreendem com um nhoque de mandioquinha ou de abóbora como alternativa à batata? Um escondidinho que pode ser de carne ou frango e ter um purê de mandioca, mandioquinha ou batata por cima? E assim vai.

E outro dia estava conversando com uma amiga, que viu a agonia da prima com um filho "que só come macarrão". Tive uma ideia ontem, que veio também a calhar com um resfriado do Dani. Não tem como, né? Até a gente perde a fome com um nariz entupido. Então como sei que ele adora macarrão e vive roubando garfadas quando eu como, fiz um macarrão para ele hoje.

Já disse antes que eu faço a refeição dele a cada dois dias. Então o almoço de hoje se repete pelas próximas três refeições, até o jantar de amanhã. E aí, será que a gente encarava a mesma refeição quatro vezes seguidas? Claro que não. Por isso, sempre deixo de uma forma que posso mudar as texturas entre elas. Deixo os legumes e tubérculos em pedaços, que podem ser cortados na hora para ele comer com as mãos ou então batidos em uma sopa mais consistente.

Dá um pouco de trabalho, mas vale a pena. Você vai precisar de 4 panelas. Foi assim que eu fiz hoje:

Panela 1: cozinhei 2 abobrinhas bem grandes cortadas em cubos, 200g de carne bovina, 400g de cenoura e 1/4 de xícara de chá de lentilha. A lentilha eu cozinho em uma espécie de peneira com tampa, lembra um infusor de chá inglês gigante. Assim, tenho a opção de usá-la como um purê separado depois, mas parte dos seus nutrientes fica no cozido também.


Panela 2: aqui foi 1/2 cenoura ralada, 6 tomates sem sementes, 1 dente de alho (que é retirado no final do cozimento) e um punhado de salsinha em fogo baixo, com um pouco de água no fundo da panela. Poderia ter refogado um pouco de cebola também. Já falei isso antes, mas nunca adiciono açúcar ao molho de tomate. O açúcar da cenoura é suficiente para diminuir a acidez do molho.


Panela 3: refoguei 1 maço de espinafre com 1 colher de sopa de azeite até murchar. Já percebi que o Dani gosta assim, depois é só dar uma amassadinha com um garfo e colocar uma pitadinha de sal.

Panela 4: água fervente, uma pitada de sal e macarrão pra cozinhar. Não coloco azeite, assim o molho gruda melhor no macarrão depois.

A cara das comidas ficou mais ou menos como está na foto. Em sentido horário, começando ali pela esquerda, temos o espinafre refogado, macarrão cozido, molho de tomate (já batido no liquidificador) e os legumes em pedaços.

Não aparecem na foto a lentilha cozida e a carne. Eu não gosto de bater a carne no liquidificador, nunca fiz isso porque acho que deixa uma consistência meio arenosa na comida. Quando não uso carne moída, tiro a carne da mistura, corto em pedaços pequenos (ou, se for frango, desfio com as mãos) para o Dani comer com as mãos.

Depois de cozinhar um tempão com os legumes, a carne fica meio sem graça, então pode dar uma refogadinha em um pouco de cebola. Quando a carne é mais dura, deixo cozinhando, aproveito o caldo e vira snack de cachorro!

Para o almoço de hoje, amassei bem o espinafre e misturei ao macarrão. Ainda no liquidificador, misturei o molho de tomate com os legumes. É, eu sei, temos toda a teoria dos legumes em pedaços para a criança não acostumar com o purê-nosso-de-todo-dia, mas preferi fazer assim hoje considerando o nariz entupido do filho.

As outras opções que pensei para as próximas refeições são:

1. Misturar o espinafre, legumes e arroz cozido e servir o molho por cima.

2. Substituir o macarrão por uma batata cozida e cortada em pedaços pequenos.

3. Se o dia for de bode federal, vai pro liquidificador o espinafre, molho de tomate, legumes, lentilha e batata cozida pra virar uma super sopinha. Outra opção seria fazer a sopa sem batata e, já que o Dani adora comer pão, molhar pedaços de pão (integral, tá?) para ele.

Viu? Meu filho só come macarrão pode ter uma saída bem nutritiva!

Aug 30, 2013

Bolo de Iogurte

Corrigindo o post anterior, não fiquei totalmente sem cozinhar nesses últimos meses. Passei mais de um mês longe do fogão, mas assim que consegui, fiz sim meu infalível bolo de iogurte. Antes disso, eu explicava a receita passo-a-passo pra minha mãe fazer, porque gritar os ingredientes pela casa toda é muito mais interessante do que abrir o livrinho de receitas.

Carrego essa receita comigo pra todo canto. Já fiz no Chile, na casa de outras pessoas, em qualquer lugar. É um bolo rápido, que não precisa de batedeira nem liquidificador e com ingredientes simples. Ele suja poucos utensílios, para a felicidade do maridón, que fica com a segunda parte do "você cozinha e eu lavo" da história.

Para não dizer que ele é a prova de qualquer erro, conto um experimento que não deu certo: usar iogurte de blueberry. O gosto fica bom, mas o quesito aparência perde alguns pontos, porque o bolo fica meio azul. Aqui do lado tem uma frase de J. Steingarten: "I'm fairly sure that God meant the color blue mainly for food that has gone bad". Ou seja, azul = podre. Não rola, o cérebro não aceita.

Fora este episódio em que eu só convidaria daltônicos ou aconselharia o uso de máscaras, o bolo nunca falhou. Nunca. Nunca. Nunca. E ainda tem a versão nerd-eu-tenho-uma-balança-na-cozinha ou a versão preguiçoso, onde as medidas se baseiam no próprio potinho do iogurte. Só acho mala lavar o pote melecado para pesar o açúcar e a farinha, por isso criei a versão nerd.

Ah, e se você não tem um fouet, pegue 2 garfos e coloque um de frente ao outro, imitando uma das hastes da batedeira. Segure-os com a mesma mão pelo cabo e bata assim. Ou use só um garfo mesmo, batendo bem e cansando um pouco as mãos.

Acabei de fazer esse bolo e, enquanto escrevia o post, devorei uma fatia. Fui a fominha e fiz aquela nhaca, cortei o bolo dentro da forma e coloquei em um pedaço de guardanapo. Quebrou tudo! Mas comer um bolo quente, daqueles que o dedo mal aguenta segurar, vale todas as migalhas pela pia e o bolo desmilinguido.  

Ingredientes

3 ovos
1 pote de iogurte integral (170g)
1 pote de óleo (150g)
1 pote de açúcar (150g)
3 potes de farinha de trigo (330g)
1 colher de sopa de fermento em pó (15g)

Em um recipiente, quebre os ovos, adicione iogurte, óleo, açúcar. Misture bem, sem dó, com um fouet ou garfo(s) até ficar levemente esbranquiçado.

Adicione a farinha e o fermento. Como já disse antes, depois que adicionamos a farinha, temos que tratar o bolo com delicadeza, sem bater demais a massa, para não ativar o glútem e ter um bolo duro a la sola de sapato. Então até pode misturar com um fouet, mas devagar. Eu prefiro usar uma espátula. Sim, suja mais uma coisa! Mas você precisará de algo para despejar a massa do pote na assadeira, não dá pra fazer isso com um fouet ou com um garfo. Não, não dá.

Seja prático: invista em uma assadeira anti-aderente e elimine da sua vida aquele papel gosmento com manteiga e a farinhaça para untar. Como este bolo é pequeno, uso uma forma de bolo-inglês.

Leve ao forno pré-aquecido - ligue o forno antes de começar a receita! - a 180ºC por 35-40 minutos. Faça o teste do palito e pronto!

Aug 27, 2013

Texto: Conversa entre crianças

Não sei quem irá ler esse texto depois de tanto tempo sem escrever. Passei por uma cirurgia que me deixou por quase dois meses de molho. Ainda não consigo me aventurar muito, comilanças ficaram bem limitadas às refeições caseiras e olhe lá.

E nesse tempo, li um texto em um dos livros da Elizabeth Monteiro que achei super legal. Não é muito curto, mas vale a pena! E se vamos exterminar os paus nos gatos, que assassinemos de uma vez as Cucas e os Anjos destruidores de relacionamentos!

- E aí, véio?
- Beleza, cara?
- Ah, mais ou menos. Ando meio chateado com algumas coisas.
- Quer conversar sobre isso?
- É a minha mãe. Se lá, ela anda falando umas coisas estranhas, me botando um terror, sabe?
- Como assim?
- Por exemplo: há alguns dias, antes de dormir, ela veio com um papo doido aí. Mandou dormir logo se não uma tal de Cuca vinha me pegar. Mas eu nem sei que é essa Cuca, pô. O que eu fiz pra essa mina querer me pegar? Você me conhece desde que eu nasci. Já me viu mexer com alguém?
- Nunca.
- Pois é. Mas o pior veio depois. O papo doido continuou. Minha mãe disse que quando a tal da Cuca viesse, eu ia estar sozinho, porque meu pai tinha ido pra roça e minha mãe, passear. Mas, tipo, o que o meu pai foi fazer na roça? E mais: como minha mãe foi passear se eu tava vendo ela ali na minha frente? Será que eu sou adotado, cara?
- Como assim, véio?
- Pô, ela deixou bem claro que minha mãe tinha ido passear. Então ela não é minha mãe. Se meu pai foi na casa da vizinha, vai ver eles dois estão de caso. Ele passou lá, pegou ela e os dois foram passear. É isso, cara. Eu sou filho da vizinha. Só pode!
- Calma, mano. Você tá nervoso e não pode tirar conclusões precipitadas.
- Sei lá. Por um lado pode até ser melhor assim, viu? Fiquei sabendo de umas coisas estranhas sobre minha mãe.
- Tipo o quê?
- Ela me contou um dia desses que pegou um pau e atirou em um gato. Assim, do nada. Maldade, meu! Vê se isso é coisa que se faça com o bichano!
- Caramba! Mas por que ela fez isso?
 - Pra matar o gato. Pura maldade mesmo. Mas parece que o gato não morreu.
- Ainda bem. Pô, sua mãe é perturbada, cara.
- E sabe a Francisca, ali da esquina?
- A Dona Chica? Sei, sim.
- Parece que ela tava junto na hora e não fez nada. Só ficou lá, paradona, admirada, vendo o gato berrar de dor.
- Putz grila. Esses adultos às vezes fazem cada coisa que não dá pra entender.
- Pois é. Vai ver é até melhor ela não ser minha mãe mesmo. Ela me contou isso de boa, cantando, sabe? Como se estivesse feliz por ter feito essa selvageria. Um absurdo. E eu percebo também que ela não gosta muito de mim. Esses dias ela ficou tentando me assustar, fazendo um monte de careta. Eu não achei legal, né? Aí ela falou que ia chamar um boi com cara preta pra me levar embora.
- Nossa, véio! Com certeza ela não é sua mãe. Nunca que uma mãe ia fazer isso com um filho.
- E é ruim saber que o casamento deles não está dando certo... Um dia ela me contou que lá no bosque, no final da rua, mora um cara que eu imagino que deva ser muito bonitão, porque ela chama de "Anjo". E ela disse que o tal do "Anjo" roubou o coração dela. Ela até falou que, se fosse dona da rua, mandava colocar ladrilho em tudo, só pra ele passar desfilando e tal.
- Nossa, que casamento bagunçado esse. Era melhor separar logo.
- É. Só sei que eu tô cansado desses papos doidos dela, sabe? Às vezes, ela fala algumas coisas sem sentido nenhm. Ontem mesmo ela disse que a vizinha cria perereca na gaiola... Já viu? Essa rua só tem doido.
- Vixe, mas a vizinha não é sua mãe?
- Putz, é mesmo! Tô ferrado de qualquer jeito.

Jun 12, 2013

Festinha - Os fornecedores

Já escrevi que resolvi não fazer toda a comida da festinha do Dani, né? Mas é claro que eu compartilho todos os contatos! É tão difícil achar gente legal, em quem a gente pode confiar, que sabe fazer as coisas direitinho, que esses contatos são sempre bem-vindos.

Todos os salgados foram feitos pela Ju e Bel, que tocam a da Santinha Gastronomia. Elas também fizeram as comidinhas do meu chá de bebê, do chá de bebê de uma amiga, e vira e mexe fazem um almoço caprichado para comemorarmos alguma data especial em casa.

Fiz algumas plaquinhas para identificar as comidas porque acho meio difícil quando a gente tem que simplemente experimentar para descobrir o que tem em cada coisa. A apresentação das comidinhas é impecável, e o mini-lobster roll fez um super sucesso.



Outra fornecedora que virou amiga é a Lívia, da Yeah Brownies. Ela também fez um chá de bebê, e acabei encomendando os brownies no palito com ela em duas ocasiões. A personalização das plaquinhas é o máximo! E ela aguenta palpite, edita aqui, muda ali. E o que esse brownie é boooom...


Tem sempre também a fornecedora que é a amigadazamiga. A Alê, amiga da Letícia, foi uma delas. Nos conhecemos em um dia em que a Letícia, lá do Cozinha da Matilde, juntou as amigas do fogão em sua casa. Conversa vai, comida vem, descobri que ela tem a Nena Chocolates, faz muitos doces e uns brigadeiros maravilhosos. Nada de aromas, minha gente! Ela faz geléias caseiras para adicionar à mistura. I-MA-GI-NA o que é pegar um brigadeiro de morango e achar uma sementinha de morango de verdade ali dentro. Morri, voltei e comi mais um. Sorte do Dani que eu desisti de enrolar brigadeiros e garantiu um brigadeiro de chocolate belga!
  

E acha que acabou? Vixe, vai longe! Eu amo bem-casado. Ele bem que poderia ter outro nome, por que acho que pode ser devorado em tantas situações! Quando estava vendo lembrancinhas para a maternidade, pensei em fazer os tais bem-nascidos, e de todos que já provei, os feitos pela Fátima são os melhores.

Na época, tive uma dificuldade: eles não eram tão bem organizados como as vendedoras mais famosas de bem casados para receberem uma encomenda em cima da hora. Para casamentos, a data é fácil, mas já pensou se eu entrasse em trabalho de parto em um fim de semana? Não teria lembrancinhas, não conseguiria falar com eles, e acabei desistindo da ideia. Dessa vez fiz uma pequena encomenda e deu super certo. E confirmaram mais uma vez: são os melhores bem casados que eu já comi.


Como lembrancinha, enchi mini-baleiros com bala de coco. E lá fui eu atrás de uma bala de coco gostosa, que não fosse ressecada. Perguntei para as amigas comilonas de plantão e cheguei na bala de coco gelada da Claudia. A bala era como eu imaginava! E ainda encomendei também alguns algodões doces com elas!


Uma outra amigadazamiga são as meninas da Cookeria. Tem muitos produtos, mas meu favorito é o whoopie de castanha do pará recheado de doce de leite. Cookie daqueles macios, molinhos, sabe? De comer uns 5 sem nem pensar. Ficaram irresistíveis embrulhadinhos no celofane com fitinhas nas cores da festa.

 
E não é comida, mas é fornecedor, então entra pra listinha. A Pri, da Sweet and Sour, fez essas letras super fofas em mdf. Ela sugeriu a fonte, que acabou sendo usada também para a tag dos brownies e para outras coisas que espalhei pela festa. O Gustavo, da Gráfica Cipriano, me ajudou muito com a escolha do papel, impressão e corte dos cata-ventos.

Jun 10, 2013

Bolo fake

Se tem uma coisa que eu A-BO-MI-NO é pasta americana. Não adianta dizer que a gente descasca o bolo, tira a pasta e come o recheio. O gosto fica na massa, e o risco de comer um tiquinho se quer daquilo já me deixa de bode de comer o bolo todo.

Por isso, decidi fazer como foi feito no nosso casamento: um bolo fake, de mentira, para a mesa e para as fotos. E um gostoso, de verdade, fresquinho, na cozinha.

Pesquisei um monte atrás de ideias para esse tal bolo fake. Achei algumas opções interessantes. Uma delas seria fazer um bolo de isopor e cobrí-lo com pasta americana. Mas ainda assim, eu não sei mexer muito bem, ia ficar uma caca ou muito caro.

Eis que resolvi inventar um bolo de tecido. Fui à 25 de março, comprei isopor, fitas e flanela branca. Funcionou: a flanela deixa o bolo com uma carinha de fofinho! Abaixo tenho um passo a passo com fotos não muito boas, de iPhone mesmo, mas é o que tem.

Comprei 2 cilindros de isopor. Poderiam ser 3, mas achei que ia ficar grande demais. Cortei faixas de flanela que cobrissem toda a lateral do cilindro.

Em uma das ideias que vi, o tecido é preso ao isopor com alfinetes. Achei a solução meio estranha, vai que escapa! Então colei com cola quente, mas se você não tem a pistola... Compra, tá? Porque essa do alfinete não me convenceu, e cola quente é o máximo! É muito útil, e um ótimo investimento pra quem pretende fazer algumas coisas DIY (do it yourself) em casa.

Voltando, os fundos ficam mais ou menos como está na foto. Tentei deixar as pregas uniformes, e a lateral bem lisinha. Se sobrar muito tecido, corte para não ficar um monte de sobreposições e deixar o bolo torto.

Cortei um círculo de tecido para cobrir o topo do bolo, É preciso ter uma tesoura bem afiada para isso, ou muita paciência e cortar bem devagar. A solução de um bolo fake que achei nas pesquisas era colocar um enfeite bem grande em cima. Funciona, mas não era o meu caso, já que eu só queria colocar as bandeirinhas.

Colei uma fita na base de cada cilindro. Em muitos bolos decorados esse acabamento esconde a emenda/rebarba da pasta americana. Eu só achei que ficava simpático mesmo.

Aí vem a criatividade. Eu colei os cataventos em um estilo mais comportado, mas daria para colocar uma chuva deles, alguns tortos, espetados em cima... A criatividade vai longe! Achei muitas ideias interessantes escrevendo "pinwheel cake" no Google Images.

Para finalizar, cortei alguns cantos do papel de catavento, passei uma linha de costura e prendi em palitos de churrasco. Não foi muito fácil furar o bolo, com suas várias camadas de tecido, mas quebrei só uns 4 palitos.

As letras foram recortadas de etiquetas de papel, já que eu queria a mesma fonte de letrinhas que tinha usado para outras coisas. Mas dá pra achar letras-adesivo em lojas de scrapbook e papelarias.

Para a base do bolo, eu forrei um pedaço do isopor quadrado com um pedaço de tecido TNT. Este tecido era de um saco de presente que eu ganhei, deixei guardado, já pensando em alguma utilidade para a festinha. Poderia também ter forrado uma caixa de papelão. Aliás, o que mais fiz foi guardar coisas aleatórias que poderiam ter alguma utilidade: caixas de papelão (onde guardava tudo que ia ficando pronto), tecidos, fitas, potes, vidros...

May 31, 2013

É pique!

Será que tem alguma mãe que não fica hip-hip-hip-hurra com o aniversário de um ano do filho? Que não tem um marido que a ache exagerada, maluca, fazendo uma festa desproporcional? Que as amigas sem filho acham completamente desmiolada, que não sabe falar de outra coisa, mas em alguns anos vão fazer a mesma coisa? Alguns pensamentos tem passado há um tempão pela minha cabeça.

- Não quero festinha-casamento. Daquelas super duper master produções. Vou ter flores da feira e decoração feita em casa. Já viram as fotos do Intagram? Passei 3 horas na 25 de março - ui! - num sábado - credo! - e comprei um monte de coisa. Ah, eu curto até o perrengue.



- Pensei em fazer no salão do prédio, mas desisti. Não queria o sobe e desce de coisa, o salão passou por uma reforma e não está pronto, então eu teria que alugar os móvei$. Eu tinha alguns limites pra não deixar essa festa com a tal cara de casamento, e o financeiro é um deles. Acho que começa a ficar meio sem sentido sair alugando mesa e cadeira para um aniversariante que nem se senta a mesa. Então vai ser em casa, pessoas se espalhando pela sala, pela cozinha, todo mundo bem juntinho.

- Vou transformar minha casa. Fiz uma cortina de 3.4m de fitas penduradas. Tenho uma lista quase infinita de coisas que quero pendurar, e nem sei bem como. Festeiras de plantão, aceito todas as dicas, porque ninguém vai querer aquele enfeite caindo na cabeça no meio da festa. Apesar de que isso renderia uma ótima foto.

- Não vou fazer toda a comida. "OOOOOOOHHHH! Como assim?" É o que todos me perguntam. Simples: isso iria me consumir muito, eu ia passar 3 dias na cozinha querendo fazer de tudo e pra tudo, ia ficar noiada com o que estivesse médio, não ia nem sentir o gosto do que eu fiz e provavelmente estaria descabelada 5min antes das pessoas chegarem. Peguei uma amiga aqui, uma conhecida ali, e todas as comidinhas serão caprichadas, mas terceirizadas, e vou montar só um sanduichinho ou outro belisco fácil.

- Nem tinha pensado sobre o assunto quando alguém comentou, na vibe pós Kinder-Ovo pra menino e pra menina: "Que legal, não vai ser com cores de menino!". Ah, gente, a Páscoa foi-se há meses e ainda se fala no assunto (o texto da Rosely Sayão desta semana ainda falava sobre esse tema). Não estou falando que não há motivo para que as pessoas questionem os rótulos e incentivem seus filhos a usarem rosa e azul. Mas deveríamos fazer isso com leveza, não é um big deal se meu filho tem escova de dente rosa! Eu tinha helicóptero, adoraaaaava montar pistas de carrinhos, aprendi com meu tio pequenas coisas para consertar a casa (trocar uma tomada, fazer furo de furadeira, instalar máquina de lavar), tudo "coisa de menino". E daí? E de onde veio a inspiração das cores? De um dos brinquedos favoritos dele. Um dia ele estava brincando, encaixando peças e montou essa combinação de 4 cores. Simples assim, sem machismo nem feminismo.

- UM ANO. Dizem que ele passa mais rápido do que os 9 meses de barriga. Eu diria que ele passou mais rápido do que os meus 4 meses de enjôos. E - lá vem clichê, minha gente! - tanta, tanta, tanta, tanta, tanta coisa aconteceu. A primeira risada, o primeiro mãmã, as primeiras engatinhadas, a primeira papinha, os primeiros passos. Vai me dizer que não é motivo suficiente pra muita comemoração?

May 30, 2013

Butcher's Shop

E quem disse que não dá até para frequentar um lugar um pouco mais disputado com um bebê? Li e acredito que bebês devem ser preservados de ambientes como restaurantes cheios e barulhentos. Concordo plenamente. Por isso, ainda não saímos com o Dani para jantar fora aos finais de semana e em lugares mais famosos.

Há quem leve o filho com a babá. Há uns 2 anos, vi duas babás cuidando de bebês na entrada do restaurante Dui. Não é uma opção que considero, não temos babá, e às vezes tenho vontade de perguntar a mãe por que não os deixou em casa. Melhor não criar conflitos, então deixa isso pra lá.

E voltando ao restô: pegue aquele feriado esquisito e nublado, almoce às 16:00 e pronto. Tá aí uma coisa que flexibilizou muito depois que o Dani nasceu: eu chamo de almoço qualquer coisa que eu coma entre 12:00 e 17:00.

E um lugar que fomos assim, rapidinho, foi o Butcher's Shop. Sim, aquele famoso, das filas, esperas, pessoas descoladas e a la NYC. Estava super tranquilo, sem espera, muitas mesas, e o bebê conforto foi acomodado usando duas cadeiras. Já conhecíamos o lugar e sabíamos exatamente o que pedir. Nos ofereceram também a opção de ir para o andar de cima, mas não foi preciso. Pedimos rápido, comemos sem pressa, mas de forma objetiva, e fomos embora. E matei a lombriga do milkshake de chocolate.

May 25, 2013

Pecorino

Sanduba a milanesa. Pode? Deve!

Essa foi minha primeira escolha lá no Pecorino. Depois de um passeio com o filhote, passamos ali e resolvemos pedir algo para levar para casa e comer. É claro que a friturinha perde um pouco quando embalada em marmitex, mas ainda assim! Achei o máximo.

Com um pouco mais de programação, resolvemos voltar ao restaurante. Prova de que ele é super baby-kid friendly: ao chegarmos, tinha uma mesa com duas menininhas e outros 4 carrinhos estacionados ao lado de suas respectivas mesas. Incrível como a gente agora repara nessas coisas.

Pegamos uma mesa do lado de dentro que tem um cantinho perfeito para o carrinho. O Dani comeu alguns cantinhos do meu ravioli e, quando parecia que nem ou fouet nem o amassador de batatas estavam sendo suficientes, veio o pão. Um pratinho simples, um miolo devorado e um pequeno feliz.

Pedimos a milanesa com risoto de limão siciliano e o ravioli de queijo de cabra. Pratos rápidos e simples, já que também não precisa abusar da paciência do Dani, né? Ouvi uma mãe chegando e pedindo "aquele penne com ragu pro Gui, sabe?" e achei legal. Não cuspo pra cima dizendo que as coisas não devem ser especiais aos pequenos. Tenho a sorte de ter um comilão, mas isso pode mudar e me pegar pedindo também um macarrão assim-e-assado no futuro. Nenhum restaurante precisa adaptar, mas é legal quando acomodam assim.

May 14, 2013

Eclat

Gostei da cara dele: simpático, espaçoso e com um cardápio interessante. Escolhemos um dia estranho: a Páscoa! E fomos almoçar lá com o Dani.

Esses dias esquisitos são ótimos para sairmos com os pequenos quando eles ainda são meio imprevisíveis. Dificilmente pegamos restaurantes cheios, com filas e pessoas em clima romântico em que um choro de bebê acaba com o love. O Dani não dorme no carrinho em restaurante em hipótese alguma! São coisas demais pra ver e ouvir.


Chegamos cedinho ao Eclat, umas 12:30. Sentamos em uma mesa super espaçosa, e o serviço foi a jato. O pão de mandioquinha deles é super gostoso, veio quentinho, e óbvio que o Dani adorou! Ajudou que um garçon ficou ao lado conversando com ele, e assim comemos bem - um nhoque de batata doce com ragú de costela e o robalo com crosta de presunto cru. Deu até tempo pra sobremesa e um café!

May 9, 2013

Caldinhos

Estava conversando com uma amiga mãe de dois. Dois que não curtem comer muito. Ela estava aqui em casa, conversa vai, conversa vem, e acabou assistindo o almoço do Dani. Chegou uma hora que eu fiquei até sem graça com como - e quanto - ele come, e ela falando da dificuldade de fazer os filhos comer. Ah, e aí ele acabou o almoço e ainda mandou ver uma banana inteira.

É simplesmente desesperador para uma mãe ver que seu filho não come muito. E não adianta o pediatra, a revista, o diabo a quatro falarem que isso é normal. O pior, como estávamos falando, não é nem quando eles não comem, mas quando eles cospem. Ah, porque mãe é gente e dá vontade de fazer uma guerra de papinha e cuspir também.

Mas por que comecei a escrever sobre isso? Só nessa conversa que tivemos, achamos algumas diferenças nos hábitos alimentares das crianças. Tenho sempre em casa batata doce, mandioquinha, abóbora e, claro, a batata comum. Ela comentou como na casa dela, apesar de ser um ingrediente que ela gosta, não tem o costume de comer batata doce. Que a batata era o mais comum, e que ela ia comprar naquela semana uma batata doce e assar para o filho.

Ela também viu como eu ralo a beterraba (descascada e crua) e cozinho. Não precisa de nada, basta deixar um tempããão na panela, em fogo baixo. Às vezes reponho a água, para não secar. Quando está quase no ponto, deixo a água secar. Umas folhinhas de salsinha, um talo de cebolinha, e às vezes até uma sálvia ou alecrim deixam o cozido super perfumado. Chique? Só porque você viu no cardápio daquele restaurante uma massa com manteiga de sálvia. Não tem nada demais, não custa caro e é super fácil de se encontrar.

Expliquei que faço a comida dele a cada dois dias. Não congelo nada fora os grãos - e gente, congelar batata e beterraba fica horrível! Parece uma esponja quando descongela. Não lembro o que tinha no cardápio do Dani naquele dia, mas aqui está a combinação de hoje com foto, já que estava cozinhando de manhã e pensando neste post. Guardo tudo em potes de vidro na geladeira. Hoje fiz um caldo de grão de bico, abobrinha ralada e refogada, brócolis no vapor e purê de mandioquinha, batata doce e batata.

Outra comentário dela foi que a única coisa que tem 100% de aceitação é o caldo de feijão. Esse é o salvador da pátria em restaurantes, e viva! Muitos bares e botecos tem também. Afinal, quem disse que a gente não pode curtir uma cervejinha em uma tarde na calçada com nossos piticos ao lado? Eu não vejo problema algum, muito pelo contrário.

E falei para ela, se o caldo de feijão era tão bem aceito, por que não fazer outros caldos? O Dani adora caldinho de grão de bico! Ela me olhou com uma cara de espanto. Explico: eu não curto a casca do grão de bico. Entendo que ele está na fase de entender consistências, desenvolver paladar e comer de tudo. Mas não vejo muito sentido em obrigá-lo a comer uma consistência que nem eu curto. Então um dia resolvi passá-lo pela peneira, e foi um super sucesso.

Vou explicar com o grão de bico, mas vale fazer com lentilha e qualquer feijão (carioquinha, preto ou branco). Compro um pacote no supermercado de grão de bico, daqueles de 1/2kg. Deixo de molho de um dia pro outro, trocando a água pelo menos 3 vezes. Dizem que isso reduz os gases depois. Sinceramente eu não sinto diferença, mas pro pitico, na dúvida, eu faço.

Coloco em uma panela de pressão, cubro com água e deixo cozinhar por 30 minutos depois que pega a pressão. Isso é mais tempo do que se eu fizesse pra gente, mas assim fica mais molinho. Não jogo a água fora, separo tudo em potes e congelo porções que rendem duas refeições. Isso porque, apesar de fazer as papinhas a cada dois dias, eu não dou feijão, grão de bico ou lentilha no jantar.

No dia da papinha, descongelo o grão de bico em uma panela com um pouco de água. Deixo ali cozinhando por mais uns 40 minutos. Fica bem molenga mesmo. Às vezes coloco um pedaço de frango, fica um sabor super gostoso. Hoje eu coloquei um talo de cebolinha e um teco de carne. Não é pra deixar a água secar, já que ela faz parte do caldo depois. Fica um fundinho de água, mais ou menos 1cm. Se faltar, dá pra colocar depois também.

Despejo tudo em uma peneira e amasso com uma colher até as cascas ficarem sequinhas. É mala fazer isso, já aviso. Tentei tirar uma foto para mostrar como fica a consistência, é um pouco mais mole do que homus.

Na hora de servir, esquento um pouco (deixo o caldo morninho), coloco um fio de azeite extra virgem e um tiquico de sal. Sim, sal!! Não percebi nenhuma mudança significativa desde que comecei a colocar sal na comida dele, mas eu acho que fica mais gostoso.

O caldinho pode ser servido sozinho ou em cima de um arroz ou purê. O Dani gosta de todos os jeitos. Poderia também deixar um pouco mais mole e adicionar algum macarrão cozido. A foto ao lado é do almoço dele de hoje. No jantar é igual, mas sem o caldinho. Ainda bem que ele ainda não reclama, eu ia achar o tédio comer a mesma coisa 4 vezes seguidas. Pra mudar um pouco, deixo a abobrinha em um prato a parte e ele come sozinho.

Ah, e nunca testei com o grão de bico, mas se sobrar caldo de feijão ou de lentilha, pode virar sopa de gente grande! Refogue um pouco de cebola, um dente de alho amassado, jogue no caldo, um pouco mais de sal, quem sabe um baconzinho crocante e voilá!

May 8, 2013

Jelly Bread e PAO

Outro lugar que nos recebeu super bem foi a Jelly Bread. Eu queria ir lá, mas acabava sempre me enrolando. Aí veio o fim da gravidez, os índices glicêmicos não estavam muito felizes e deixei pra depois.

Lugar pequeno, simpático, fomos já algumas vezes tomar café da manhã, brunch, lanche, o que quer que defina nossa fome em horários diversos. Por causa das escadas e do espaço pequeno, levamos somente o bebê conforto, sem carrinho. Acomodaram super bem, nos deram uma mesa maior e foi super gostoso. 

O pão de calabresa, que é servido no restaurante Girarrosto ao lado, vem quentinho e é vendido em fatias ou inteiro. O sanduba de parma é fantástico! E mata a fome de qualquer lactonta - que é gigante. Meu bom senso diria para dividir, levar metade pra casa, mas a fome era maior e eu devorava tudinho. Na época do Natal, compramos os panetones e me acabei também. E os brigadeiros? São tão lindos que a gente fica um tempo admirando. Aí devora. E vem mais um. Mais um. E mais um.


Infelizmente, não tive a mesma experiência com a PAO dos Jardins. Lá nós não caberíamos tão bem, porque o espaço é apertadinho, e acabamos desistindo. Mas na PAO do Shopping Iguatemi coubemos super bem! O Dani já era maior e o pão estava liberado. Não fazem isso normalmente, mas serviram duas fatias do pão do café da manhã para ele. Este pão geralmente vem fatiado e torrado, mas deixaram sem torrar. A fatia é gigante! Então ainda levamos para casa e devoramos no dia seguinte.

May 7, 2013

Baby friendly restaurants

Baby friendly é uma expressão que tenho usado muito recentemente. Ela define passeios, lugares, móveis, enfim. Mas é claro que neste caso aqui, me refiro a comida.

Passei a gravidez toda sem sushi, né? Acho que teria sido mais fácil passar a gravidez sem o dedão do pé. Qual? Tanto faz. Eu dizia que o Dani ia sair por um lado e o sushi entraria por outro. Que eu subiria da sala de parto pro quarto e lá teria uma friazinha de sushi me esperando, embrulhada naquele pano bonito japonês com um nó no meio. Isso e uma bandeja de brigadeiros. Bom, a obstetra só autorizou os brigadeiros.

Aliás, pior do que ficar sem o sushi (e sem o dedão do pé) foram os palpites da fulana que o médico liberou sushi, da ciclana que tem uma amiga que comeu sushi a gravidez inteira e não aconteceu nada. Ah, os palpites. Mas deixa pra lá.

E aí, quando o Dani foi liberado para algumas saídas, eu quis comemorar. Calma, calma, eu já tinha me jogado no delivery japa há tempos. Mas decidimos sair e fazer algo super. E pode parecer simples, bobo e planejamento excessivo, mas tem muita coisa que ajuda nessa hora.

Não vá a um restaurante badalado. Pense no espaço que um carrinho ocupa e no conforto da pessoa da mesa ao lado. Imagina se fosse a sua comemoração de aniversário de casamento e sua garfada tivesse a visão bloqueada por um dos brinquedos mais coloridos da face da Terra. E ele pisca e brilha. Faz barulhos. E é babado.

Nós ligamos pro restaurante, avisamos que íamos com um carrinho e eles reservaram uma mesa super legal pra gente. Não foi no balcão (duh!), era uma mesa em um canto, com espaço para estacionar minha espaçonave e ainda assim conseguir ficar de olho nela.

Almoços são mais fáceis. Chegamos super cedo e, quando saímos, o restaurante tinha poucas mesas ocupadas. Tudo bem, dia de bebê começa cedo, vamos combinar que se alguém tomou café às 6am, até não parece tão difícil almoçar às 12:30. Pelo menos eu não acho.

E o bebê cresce. Os hábitos de comer cedo não mudaram muito, só a tralha que eu levo.

Tenho uma cestinha com os brinquedos que levo, os brinquedos de sair. Geralmente eles não estão tão disponíveis em casa, assim eles ficam mais frescos. Um deles é um fouet da OXO. E o outro, um amassador de batatas. Ambos de plástico, que eram usados nas panelas com anti-aderente. E ainda garanto o momento descontração com qualquer garçon. Também tenho chupetas - porque elas sempre caem viradas pra baixo em cima da poça de molho de tomate - e um casaquinho, para os lugares com um ar condicionado mais forte.

A mais recente paixão inexplicável do Dani é uma xícara-cápsula da Nespresso. A coitada já está descascada, amassada, e sinceramente ninguém acha uma explicação de por quê morder metal é tão legal. IGH. Só de pensar me dá uma aflição e um arrepio. Mas enfim, gosto não se discute e lá vai a cápsula também conosco.

Minha mais recente descoberta foi a paixão do Dani por miolo de pão. Claro que não vai rolar uma fatia do pão de calabresa, mas qualquer-qualquer-qualquer lugar tem um pãozinho gostoso. E, pensando em lugares que aceitam crianças numa boa, ninguém acha ruim se você pedir um pedacinho de pão pro pequeno.

Pois então resolvi criar uma categoria aqui no blog dos restôs frequentados pelo pitico! Coisas que agradaram, coisas que não deram certo, coisas que eu errei e faria diferente depois.

E qual foi o primeiro da lista? Aquele japa da lombriga? O Kinoshita. Foram super atenciosos nas duas vezes em que fomos. Na segunda vez, o Dani decidiu que não iria dormir durante o almoço nem ficar no carrinho. Uma cólica 'fiadapu resolveu atacá-lo bem no momento em que o primeiro prato pousou na minha frente. Tudo bem! Filho em um braço, hashi em outro e pronto! E se não desse certo, empacota e leva a doggy bag pra casa. Leve com leveza. E se der errado, paciência.

E a lista está só começando! O Dani com certeza vai nos acompanhar a outros restaurantes, e vou contando tudo por aqui! Com fotos de instagram, celular e nem sempre perfeitas. Porque aquela que tirava fotos lindas e posadas, com câmera, tripé e rebatedor, ficou para um futuro um pouco distante.

Apr 15, 2013

Fazendo pão pro Dani

Muitos ingredientes já foram liberados pelo pediatra. Clara de ovo e peixe podem fazer parte da alimentação dele, posso oferecer um purê de batata ou creme de espinafre quando formos a um restaurante. Sabendo bem de tudo que pode ir em um purê ou creme - creme de leite, manteiga, requeijão - fiquei bem feliz!

Pensando nisso, e também lembrando que passei pela fase maluca da gripe em que ele não queria comer quase nada, eu comecei a fazer pães caseiros para o Dani.

A receita original é do “Cozinhando para os Amigos”, da Heloisa Bacellar, que a Alê Blanco postou no blog Comidinhas. Fiz algumas adaptações aqui em casa. Tirei o queijo parmesão, o sal e substitui parte do óleo por azeite. O primeiro pão ficou grande, e como quero que ele seja fresquinho, reduzi a receita para 1/3 do original quando fiz pela segunda vez.

Se você quiser ver a receita original, basta clicar no [link aqui]. O modo de preparo é o mesmo, mas abaixo segue a lista de ingredientes que fiz em dois dias diferentes. Acho que seria legal substituir metade da farinha de trigo por farinha integral, mas não tinha aqui em casa. Além de abobrinha e beterraba, também quero fazer de abóbora, mandioquinha, cenoura... Ficam pras próximas!

 Pão de abobrinha

3 xícaras de abobrinha ralada
3 xícaras de farinha de trigo
4 colheres de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
2/3 xícara de óleo + 1/3 xícara de azeite
4 ovos
manteiga para untar
farinha de trigo para polvilhar




Pão de beterraba

1 xícara de beterraba ralada
1 xícara de farinha de trigo
1/3 de xícara de farinha de aveia
1 colher de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 xícara de azeite
2 ovos
manteiga para untar
farinha de trigo para polvilhar


Modo de fazer

Aqueça o forno a 180ºC, unte com manteiga e polvilhe com farinha uma forma média de bolo inglês. As minhas formas são anti-aderente (os corações são de silicone), então não precisei untá-las. Para o pão menor, usei 12 formas pequenas variadas, cada uma ficou com mais ou menos 30g de massa.

Em um recipiente, misture a abobrinha (ou beterraba), a farinha, o fermento e o bicarbonato.

Em outro recipiente, bata o óleo, azeite e os ovos com um garfo ou fouet até obter um creme esbranquiçado. Pode bater na batedeira também, mas eu prefiro sujar o mínimo de coisa possível. Junte a mistura de abobrinha (ou beterraba). Amasse com as mãos até a massa desgrudar do recipiente.

Coloque na forma e leve para assar. A receita com 3 xícaras de farinha ficou assando por 50 minutos. A receita reduzida (de beterraba) assou por 20 minutos. É como bolo, fica pronto quando o pão está crescido, dourado e, enfiando um palito no centro, ele sai limpo. Espere esfriar um pouco e desenforme. Eu guardo o pão na geladeira e dou uma requentada na hora no forno elétrico.

Apr 14, 2013

Além das Papinhas

Sumi. Foram dias intensos, dias de gripe, de febrão batendo os 39ºC, de sinusite - da mamãe, porque o pitico melhorou rápido e eu fiquei doente por 2 semanas.

Nesse tempo, uma amiga minha, que tem uma filha um pouco mais nova que o Dani, me pediu ajuda com algumas papinhas. Passei as receitas, ela leu todos os posts do blog, e ainda assim alguma coisa deu errado! Sua primeira papinha, que foi a [vegeba] que postei aqui, ficou super amarga. A pequena, que devora tudo que vê pela frente, torceu o nariz. Mandei um email para ela com a progressão das papinhas que fiz para o Dani (viva as anotações do caderninho).

E com essas da gripe, a gente tenta de tudo. Só mãe entende o desespero de ver seu filho borocochô, sabendo que o que ele mais precisa é se recuperar, mas não querendo comer nadica. A gente procura, pergunta, lê e põe todos os palpites em prática. Algumas coisas deram certo, outras não.

Como eu havia dito, o Dani está na transição das papinhas para as comidas de gente grande. Sério, é uma fase meio chatinha, porque eu cozinho tudo separado. Alguns ingredientes aproveito para as nossas refeições daqui de casa. Mas ainda assim, dia sim, dia não, estou lá na cozinha às 8am com 4 ou 5 panelas no fogo cozinhando tudo. Sim, isso é mala mesmo pra quem ama cozinhar. Mas faz parte.

Aqui segue abaixo 4 fotos de como as comidas dele estavam nesses dias. Não são as fotos mais bonitas, mas dá para se ter uma ideia de como é.


Os pedações são sempre amassados na hora com garfo, com excessão da foto em que há pedacicos de cenoura e de pão cortados. Eu sempre tentei oferecer diversas formas e texturas em uma mesma refeição. Seguindo o conselho de uma amiga, sempre oferecia carne e frango bem desfiados, moídos e molhados em algo, no purê ou no caldinho de feijão. Alguns pratos não tem nem carne nem frango; isso porque eles foram cozidos com alguns dos outros ingredientes.

Algumas coisas que percebi: ele adora comer cenoura, beterraba ou abobrinha que foram raladas e cozidas. Mas ele tem que comer sozinho! Deixo na bandeja do cadeirão e ele vai comendo aos poucos, se distraindo. Ao mesmo tempo, entre uma cenoura voadora e outra, dou uma colherada de comida para ele.

E aí vem a gripe, e nada vai, nada funciona. Essas duas fotos foram tiradas no mesmo dia. A primeira, que era o almoço, foi oferecida como se deve, com tudo separado e etc. Aí ele não come, você desiste e faz do jeito que acha que ele vai comer um pouco que seja. Todos os ingredientes (espinafre, feijão, mandioca e abobrinha) que você vê no prato à esquerda estão na meleca verde. Só não bati o pão e fiz um ovo mexido - que ele amou.


E é assim mesmo. Tem dias que dá tudo certo e ele come um monte, tudo pedaçudo, como o protocolo manda. E temos os dog days, em que ele não vai comer. E não adianta forçar, entuchar. A gente fica triste, se desespera, chora. Sim, porque só queremos ver nossos piticos comerem, crescerem saudáveis, e sempre nos disseram que pra isso eles precisam comer. E uma hora a boca trancada passa. E tudo fica bem.

Mar 19, 2013

De papinhas para comidas

As pessoas dizem que para mim é fácil fazer papinhas. Eu adoro cozinhar, passar tempo no fogão, sei combinações que funcionam melhor. Até concordo, mas acho que cozinhar é realmente um sofrimento quando não se tem uma cozinha bem equipada.

Isso não quer dizer rios de dinheiro, investimentos, utensílios caros e Le Creusets pra lá e pra cá. Para as papinhas, um bom ralador, uma faca afiada, um amassador simples de batatas e uma panela resolvem os problemas. Ralar uma beterraba em um ralador cego é uma tortura pra qualquer um.

Mas ainda assim, pessoas que gostam de cozinhar também tem os seus dog days. Tudo é questão de perspectiva, né? Tem aquele dia em que a gente colocar todo o amor do mundo e não, o gosto não agrada. Tem dias que a gente faz uma papinha não tão inspirada e ele devora 280g. Vai entender.

Eu acho que a transição das papinhas para a comida de gente grande é a fase mais complicada e trabalhosa. O bebê tem que começar a acostumar com diferentes consistências e sabores separados, e fica aquela tensão para ele não recusar um verdinho ou uma verdura.

Tentei há dois dias fazer uma papinha que era assim:

A primeira couve-flor

4 mandioquinhas
1 brócolis pequeno
1 couve flor pequena
1/2 xícara de grão de bico pré cozido
200g de frango
um talo de cebolinha

Cozinhei tudo junto, com água até cobrir, por 1h30. Em vez de amassar tudo com o amassador de batatas, eu separei as porções com todos os pedaços inteiros. Também desfiei um pouco do frango.

Quando virei em um prato, coloquei a colher de chá de azeite e amassei com um garfo, mas sem misturar tudo. Assim, tinham partes com mais brócolis, outras com mais couve-flor, mas o sabor ainda estava meio misturado porque tudo foi cozido junto.


Pra se ter ideia, no pote azul da última foto tem 15g de frango e ele só experimentou alguns fios. Ele não achou ruim, mas está aprendendo a mastigar. Quando eu colocava na boca dele, colocava um pouco pra mim também e mastigava na frente dele, porque crianças da idade dele já conseguem aprender assistindo os adultos. Há dois pratos porque 250g não cabiam em 1 pratinho só para amassar direito, sem misturar tudo.

E tudo ia bem, quando ele engasgou. Não sei se foi com alguma casquinha, algum pedaço ou se simplesmente algo foi pro lugar errado. E aí, toda a comida que tinha ido, voltou. Tudinho, ali no chão.

Não quis forçar, então nesse dia o almoço do Dani acabou sendo uma mamadeira com mamão e banana. No jantar, dei uma bela amassada na papinha toda, misturei tudo, sem fazer novas experiências, sem frango desfiado, sem casquinha de grão de bico, e ele comeu super bem.

Hoje é dia de papinha nova e lá vou eu tentar de novo. Essa tem os seguintes ingredientes:

A primeira batata doce

2 abobrinhas
3 batatas doces
3 folhas de couve bem picadas
Algumas colheres de macarrão cozido e picado
200g de carne
Salsinha

Cozinhei tudo junto, de novo, com água até cobrir, até que ela secasse. Montei as porções, colocando 1 gema cozida na porção que ele vai almoçar hoje. Cozinhei o macarrão a parte, piquei bem e coloquei uma colher de sopa em cada porção.

Para fazer essa transição, a couve é picada bem fininho, como salsinha, e não se tritura no mixer. Dá um trabalho, mas ele parece não reclamar. Hoje não desfiei a carne, decidi fazer uma coisa por vez.


Na hora de servir, eu coloco um pote dos potes de vidro em banho-maria. O pote verde é o almoço dele de hoje, por isso não vai ser requentado. Depois de quente, coloco 1 colher de chá de azeite, passo para um prato (ou dois!) e amasso com um garfo. Vamos ver se dou mais sorte desta vez.

Mar 13, 2013

Papinha com mandioca

Meu avô tem um sítio. Ele é agricultor desde sempre, minha mãe cresceu no sítio e foi morar na cidade grande só quando entrou na faculdade. Eu cresci brincando de arar a terra, andando de trator, colocando milho nos buracos da terra e vendo meu avô fazer saquinhos de papel de seda com cola de arroz para os passarinhos não bicarem os pêssegos.

Virei uma pessoa exigente, chata mesmo. Não existe feijão igual ao de lá. Nem pêssego. Nem mandioca. Ah, as mandiocas fresquinhas! Elas são tão macias que quase se desfazem quando fritas. E tempurá de mandioca então! Imagina um combinadinho de tempurá de nori e de mandioca, encostado no shoyu antes de comer. Coisa da minha avó.

Fiz uma encomenda no Sítio A Boa Terra, que entrega produtos orgânicos em casa. Pedi mandioca, que vem descascada e embalada, pronta para ser cozida. Chegou hoje de manhã e já está cozinhando. Me dá um certo aperto porque é a primeira vez que o Dani vai comer mendioca, e não é a do sítio do meu avô. Mas assim que as primeiras mandiocas forem colhidas, vão virar um purê! O tempurá eu deixo para minha mãe apresentar, só daqui uns anos...

Papinha com mandioca

500g de mandioca
1 maço de brócolis ninja
3 beterrabas raladas
1/4 xícara de lentilha
200g de carne
1 pedaço de cebolinha
Água para cobrir

Cozinhe tudo junto até a água secar, por mais ou menos uma hora.

Retire a carne e a cebolinha. Amasse com amassador de batatas. Eu pesco as lentilhas e amasso com um garfo, assim o Dani não reclama. Separe em 4 porções e adicione 1 colher de chá de azeite na hora de servir.


PS: cansou dos posts de papinha? Eu sei, essa nova fase é muito intensa, não faço mais quase nada na cozinha, e se você não está na vibe de filhos e etc, é um saco. Fiz no fim de semana uma colomba pascal, mas essa está mais pra bolachão crocante, então nem vou compartilhar a receita...

Mar 11, 2013

Papinha Popeye

Quem não pediu espinafre para a mãe e torceu o nariz ao ver que ele não pulava de uma lata? Penso nisso todas as vezes que pego um maço de espinafre. E também em como eu não SU-POR-TA-VA esse verde durante a gravidez. Todo o lelê dos verdes escuros e etc e era só o tal começar a refogar na panela que eu saia correndo na direção oposta. Ah, os enjôos... Ainda bem que minhas aversões não atravessaram o cordão umbilical.

1 maço de espinafre
3 batatas descascadas e cortadas
3 cenouras descascadas e cortadas
200g de ervilha torta (tire as pontinhas, o fio da lateral e pique em 4-5 pedaços)
200g de peito de frango
Salsinha
Água para cobrir

1 colher (chá) de azeite por porção (colocada antes de servir)

Cozinhe até secar quase toda a água. Retire o frango. Hoje separei um pedaço de batata para ser amassada no garfo e dar a parte.

As folhas de espinafre são chatas de serem amassadas. Eu uso o mixer bem de leve, triturando as folhas maiores, deixando sobra pedaços de batata, cenoura e algumas folhas menores.

A cor da papinha não é das mais apetitosas, mas é assim que ela fica.

Sabe o tal do frango? Ele fica bem mole depois de cozinhar por tanto tempo. Fica também meio sem gosto. Apesar disso, amanhã vou desfiá-lo com os dedos mesmo, colocar um tiquinho da papinha e dar a parte, para o Dani acostumar com essa textura.

Mar 9, 2013

Papinha com rúcula

Hoje uma amiga me falou que copia as receitas de papinha do blog, cola em um arquivo e deixa guardado para o futuro, quando o filho, que hoje tem 3 meses, começar a comer. Achei tão legal! Me inspirou a escrever mais um pouco sobre esse infindável assunto que são as papinhas.

Alguns progressos dos 9 meses: o Dani vai começar a experimentar comidas não misturadas. Por exemplo, hoje fiz uma papinha que tinha abóbora. Cozinhei um pedacinho a parte, em água, amassei no garfo e ofereci um pouco antes da papinha. Também catei alguns grãos de feijão cozidos, amassei e coloquei na boca dele. As casquinhas não são muito apreciadas ainda, então entreguei uma casquinha a ele, para entender a textura, ficar amassando, colocar e tirar da boca... Desapego, depois a gente limpa a sujeira! Olha aí mais uma vantagem de ter um cachorro.
 
Aos poucos, a mistureba de carne, legumes, tubérculos, macarrão, cereais e hortaliças vai se transformar em pequenas quantidades de purê, todos separados, amassados com um garfo, em um prato. Engraçado como parece que quando a gente se acostuma com a nova fase, ela muda. Entrei na rotina das papinhas, das quantidades, dos ingredientes, e puft, fui pra próxima fase do videogame. Lá vou eu refazer a lista da feira.

Também posso oferecer algumas comidas da casa, como purê de batata (desde que não tenha derivados de leite, que são liberados a partir de 1 ano), um espinafre refogado, um brócolis no vapor, uma couve refogada bem picadinha. O que acho que vai acabar acontecendo é que vou coincidir os cardápios da casa muito mais com as papinhas dele. Hoje combino ingredientes e listas de compras, mas não como as mesmas coisas nos mesmo dias.

Já cozinho com pouco sal, então fazer um purê de mandioquinha para nosso almoço e deixar uma porção para a refeição do Dani não vai ser difícil. Basta planejamento, lembrar de colocar um pouco a parte antes de adicionar o requeijão, sal e pimenta. E assim vale pra tudo.

Ele pode começar a experimentar todos os vegetais, sem restrição. Um molho de tomate caseiro - aqui em casa não entra o vidrinho pronto de jeito nenhum - com um cabelinho de anjo mole picado já pode ser provado. Olha aí a valiosa dica do meu molho de tomate sendo útil também: sabe aquela história de adicionar açúcar para tirar a acidez? Não, não, não! Eu adiciono sempre um pedaço pequeno de cenoura ralada bem fininha. Assim, além de não ficar com um molho doce, não vou dar açúcar ao pequeno.

Em alguns dias, uma carne ou frango moído refogado, com um nadinha de cebola, azeite e sal, vai ser provado também. E ele mastiga isso? Siiiiim! Incrível, né? Bom, se você nunca levou uma bela mordida de gengiva de bebê, vou te contar que acredito sim que ele consegue triturar o que quiser.

E a papinha? Fiz a receita abaixo há 2 dias, uma bela mistureba, com um pouco da rúcula italiana. Ela tem as folhas mais rasgadinhas e é menos amarga. Como ele não fez cara feia, testei a rúcula hoje de novo, mas com outros ingredientes. Aprovada!


Rúcula 1
Coloque na panela:
5 cenouras descascadas e picadas (elas estavam bem magras e pequenas)
1 abobrinha picada
1 xic de chá de rúcula (não precisa amassar a rúcula para medir, pode deixar bem fofinho)
1/2 maço de brócolis ninja
1/4 xic de lentilha
200g de carne
Água para cobrir e salsinha

Quando a água secar, adicione 100g de macarrão cozido.
Retire a carne. Amasse tudo e adicione o azeite na hora de servir.

Rúcula 2
Coloque na panela:
500g de abóbora descascada e cortada em cubos
1 xic de chá de rúcula
1/2 maço de brócolis ninja
1/2 xíc de feijão pré-cozido em água
3 beterrabas descascadas e raladas
200g de frango
1 pedaço de uns 5cm de cebolinha
Água para cobrir

Quando a água secar, retire o frango e a cebolinha. Amasse tudo e adicione o azeite na hora de servir.