Apr 19, 2011

Os meus 11 do mundo em 2011

Eu adoro ver listinhas dos restaurantes do mundo, e uma delas é a [S. Pellegrino World's 50 Best Restaurants]. Eu sei que é besteira, que é marketing, que não mede muito, que as pessoas tem gostos diferentes, que tem gente que não gosta da nova onda moderna molecular. Ainda assim, eu acho legal saber quem está aonde. Até porque será que sou a única orgulhosa bobona ao ver 3 brasileiros na lista dos 100 melhores do mundo?!

Mas me perguntaram sobre alguns dos restaurantes, se eu conhecia, o que achava. Consegui conhecer alguns deles durante o tempo que moramos nos Estados Unidos, e também por algumas viagens. Muita, muita sorte! E vou escrever um pouquinho sobre o que eu acho, não levando em consideração as análises dos críticos amadores ou profissionais, e levando muito em consideração os meus gostos, os momentos especiais, as comemorações e as companhias.

[D.O.M]
O Alex Atala fez coisas com os nossos ingredientes brasileiros de tirar o chapéu. Lembra um tanto a fantasia criada pelo chef René Redzepi do Noma, que explorou a região da Escandinávia para entender melhor os ingredientes locais. Um dos meu pratos favoritos lá foi um confit de pato com purê de cará. Isso porque geralmente eu não curto nem a gordura do pato nem o cará, e quase lambi o prato!


10º [Per Se] (USA)
O PerSe é o irmão mais novo do French Laundry, que despencou algumas posições. Os dois são sensacionais, cada um com a cara da sua cidade. O PerSe, em Nova York, fica no prédio da Time Warner, ali no Columbus Circle. A vista é linda, a cozinha é impecável, e não poderia ter um ar mais novaiorquino. Terá sempre o gostinho de despedida de NY, pois foi o lugar escolhido para nosso último jantar lá. Nem preciso falar mais, né?!

Rib-eye de cordeiro com brócolis, mini alcachofras, meyer lemon e alcaparras

11º [Daniel] (USA)
Dos 3 estrelas Michelin em NY (atualmente são 4: Le Bernardin, Daniel, PerSe e Jean Georges), eu achei o... my least favorite. Longe de ser ruim, claro! Mas eu acredito este é um caso em que a falta do chef presente, fazendo parte do dia-a-dia do restaurante e em cima do controle de qualidade compromete a qualidade final. Com seus tantos outros restôs espalhados pela cidade e pelo mundo, não tem jeito e perdeu o tchans.

14º [L'Atelier de Joel Robuchon] (França)
O L'Atelier entrou para lista daqueles momentos micos de viagem. Não pela comida, mas pela falta de vergonha alheia minha mesmo. Eu e o maridão estávamos andando meio sem rumo por Paris, quando vi o restaurante na nossa frente. Entrei e perguntei: "Tem mesa?" E tinha! E quem disse que nós tínhamos trajes apropriados para tal ocasião!? Não estávamos xulezentos, mas quem anda de blazer e sapato passeando a turismo, né? Mico a parte, foi com certeza a melhor codorna caramelizada que eu já comi na vida.


18º [Le Bernardin] (USA)
Eu poderia ficar até amanhã falando sobre o Le Bernardin. Eu escolhi trabalhar lá exatamente porque ele é o melhor restaurante de peixes e frutos do mar de Nova York. Provei absolutamente TUDO que constava no cardápio, matei lagostas, limpei os peixes mais variados e passei horas esvaziando ovos para a sobremesa. Jantei às 4:30 da tarde, antes do restaurante abrir, numa mesa com Eric Ripert! Emoção demais! E meu favorito? Sempre foi o hiramasa com risoto de trufas.


40º [Momofuku Ssam Bar] (USA)
O mais sem graça dos Momofuku's, prefiro o Noodle Bar. Bom, eu sou mega fã dos noodles do David Chang, e recomendo pra qualquer turista. Então minha dica seria: dê uns passinhos a mais, pegue o noodle do Noodle Bar e termine a noite com a sobremesa do Ssam Bar.

56º [The French Laundry] (USA)
O French Laundry fica em Yountville, o que chamam de "a cidade do Thomas Keller". Lá também ficam a Bouchon Bakery, o restaurante Ad Hoc, a hortinha dos restaurantes e muitos outros fornecedores. É um daqueles lugares para se passar o dia, andar pela plantação de rabanetes, conhecer a cozinha e voltar calmamente pela estrada. Melhor que o PerSe?! Na minha opinião, é sim!

Lagosta poché com cogumelos chanterelle e ervilhas

59º [Fasano]
Fui só uma vez ao Fasano, ainda quando essas coisas todas eram chiques e caras demais para o meu bolso universitário, mas o atual-marido-que-era-noivo-na-época me levou lá para comemorarmos nosso noivado. E ele ficou assim, na minha memória, um lugar de comemoração. Vixe! E isso faz mais de 4 anos...

62º [Jean Georges] (USA)
Esse era mais um dos restaurantes em que eu imaginava que a ausência do chef no dia-a-dia comprometeria o resultado. Mas me enganei. Achei a comida maravilhosa! Mas a sobremesa... Eu tinha uma grande expectativa, pois o chef Johnny Luzzini é bem famoso. Mas achei over. Parecia um pouco carnavalesco, e com tantos itens em um prato só, fica difícil não ter algo que você não curte tanto.

Gnocchi de queijo de cabra com mini-alcachofras caramelizadas

65º [Momofuku Ko] (USA)
Fotos proibidas, 12 lugares e um sistema de reservas malucos te surpreendem. E aí você vai... E praticamente cai da cadeira. Ou melhor, do banquinho, pois lá não há mesas. Ovo mole recheado com caviar, macaroon salgado e um fois gras ralado com lichia, pé-de-moleque de pignole e geléia de riesling fazem parte dos possíveis pratos que podem te oferecer. Maluco, né? E divino.

91º [Blue Hill at Stone Barns] (USA)
Esse restaurante pra lá de charmoso fica em Terrytown, a 40 minutos de Nova York. Parece que você foi muito mais longe do caos da cidade quando percorre as estradinhas cercadas por fazendas. Tudo é produzido ali na própria fazenda ou então na região, de forma ecológica, sem sofrimento de animais, sem pesticidas e hormônios. O leite é produzido por uma das 19 vaquinhas que são super bem tratadas, e vira uma manteiga maravilhosa. A cebola fica 8 horas assando sobre carvão. E até o carvão é produzido lá, usando restos de ossos e carcaças. Ah, e o sabor dos mini leguminhos é inexplicável!


PS: nenhuma dessas fotos foi tirada no modo "Py-aspirante-a-fotógrafa". Então contei com a sorte - ou azar - da iluminação do lugar e também com as capacidades limitadas da minha máquina amadora.

3 comments:

Letícia said...

Achei muito interessante essa matéria mas voce tb tem um 10+ dos restaurantes que podemos sair saciando a fome?
Porque as porções parecem tão miudinhas mas super inflacionadas.

Beijos,

Clara said...

Oiii Paulaaa

adoreiii o post, que sorte ter passado por todos esses restaurantes ... bateu um invejinha, rsrs !

Beijo !

π said...

10+ não inflacionados?
Hmm... Nunca fiz essa lista!

Mas uma boa dica é pegar o almoço do Jean Georges... São alguns pratos, eu não saí de lá com fome, e o preço não é nada salgado!
bjs