Oct 26, 2010

Óinc Óinc

Nova York tem diversos lugares especializados em uma única coisa. Tem o donut, o wafel, o dumpling... A lista não acaba, e a cada dia descubro mais um canto com a sua peculiaridade. Hoje foi o dia do [Porchetta].


Com esse nome, dá pra imaginar o que eles vendem, né? Carne de porco, assada seguindo uma receita típica de comida de rua na Itália, em sanduíche ou no prato. E pra ter mais cara de Nova York, fica num cantinho minúsculo no East Village e usa porcos bem tratados, sem antibióticos ou hormônios.


Há também opção de sanduíche de mozzarela para os amigos vegetarianos, uma saladinha verde, sopa e batata. Mas o sanduba foi recomendado pelo vendedor, e todos fomos nele. Uma bela limonada acompanha e quebra a dose de gordura, lembrando pra mim a caipirinha com a feijoada. É bem pesadão, mas muito saboroso.


E olhem: dá pra pegar a [receita] no site deles! Hum... Um dia vou tentar, chamar uma dúzia de cobaias pra testar essa receita! Mas depois de ter visto o super forno que eles tem lá, com controles de umidade e temperatura digitais, acho difícil conseguir competir.

110 E 7th Street
(212) 777-2151

Oct 24, 2010

Almoço no Jean Georges

O [Jean Georges] tem vários restaurantes em Nova York. Já fui a alguns, Mercer Kitchen, Spice Market, mas achava o Perry Street o melhor entre eles, com um ambiente bem legal, influência de alguns ingredientes asiáticos sem exageros.

E ainda não tinha ido ao THE Jean Georges, que fica dentro do Trump Hotel no Columbus Circle. Como qualquer famosão, três estrelas Michelin e super premiado, os preços não são muito amigáveis, mas o preço do almoço é bem legal.

Estava um dia friozinho, típico do começo de outono. As árvores que ficam nas janelas estavam ainda mais lindas. Dava pra ficar lá horas olhando as folhas balançando com o vento. E o salão é lindo, super clean, pé direito alto com lustres malucos.


Começamos com um amuse-bouche: uma sopa de cogumelos, beterraba com cebola crocante e salmão com uma geléia de mostarda. Bonitinho e gostoso.


E as entradas, hmm... A minha entrada era um gnocchi de queijo de cabra com alcachofras caramelizadas e muito azeite. A minha cara pintada em um prato! E o maridão pediu um sashimi de truta com ovas, creme fraiche com limão.


Os pratos também eram muito gostosos. O meu era um scallopine de vitelo com presunto crocante e brócolis. O outro, um red snapper com uma casquinha crocante feita de uma mistura de castanhas em um caldinho que dava vontade de lamber o prato.


As sobremesas... nhé. Esperava muito mais. Johnny Iuzzini, o pastry chef do restaurante, é super famoso e host do Top Chef Just Desserts. Eram lindas, mas os sabores não agradavam muito. Elas são separadas por temas, e pedimos o Garden e o Chocolate. O Garden tinha blackberries, macarron, sorvete de ervilha e mochi. Mistura louca demais em um prato só. O famoso bolinho de chocolate era mesmo muito gostoso, mas achei que parava por aí.


O que agradou MESMO foram os macarrons que vem com o café: massa de pistache, recheio de geléia de amora e poppy seeds. Muito gostoso! E eles servem também um marshmallow que fica di-vi-no com o café.


Entrada e prato principal custam US$36.
Cada sobremesa custa US$8.
1 Central Park West
f: (212) 299-3900

Oct 14, 2010

Quem quer pão?

A vida na cozinha ficou bem mais interessante depois que uma linda batedeira ver-me-lha Kichen Aid aterrisou por lá. Tem tanta coisa legal que dá pra fazer, pra descobrir e experimentar. Até pra saber mesmo se tem tanta diferença assim entre uma batedeira normal e uma planetária.

E realmente, acho que ela ajuda muito em algumas situações, mas não faz nada que você não consiga fazer normalmente. Por exemplo, sovar um pão: as planetárias tem aquele gancho super power que sova a massa por você. Também dá para usar o moedor de carne que se acopla, ou mesmo o esticador de massas. Mas mais uma vez, nada que você não consiga fazer com um pouco mais de trabalho, muito tempo e mega sujeira.

E nessa busca por coisas novas eu achei uma receita de pão muito interessante. Chama-se [Irish Soda Bread] e veio do programa Barefoot Contessa que passa no Food Channel. O pão não precisa crescer por horas nem a massa precisa ser sovada.

Ainda quero testar essa receita no Brasil e usar bicarbonato de sódio para saber se o resultado é o mesmo. Além disso, vai também na receita o buttermilk, que lembra um iogurte sem açúcar. Será que dá pra usar iogurte natural?

E pra variar, resolvi mudar algumas coisinhas, adicionar farinha integral e reduzir a quantidade de sal. Segue a receita!

2 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras de farinha de trigo integral
4 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de baking soda
1 colher de chá de sal
½ tablete de manteiga cortado em cubos de 1cm
1+3/4 xícara de buttermilk
1 ovo

Pré-aqueça o forno 375ºF (190ºC) e coloque papel manteiga em uma forma.

Coloque as farinhas, açúcar, baking soda e sal no recipiente da batedeira e misture levemente. Incorpore a manteiga e misture em velocidade baixa até os pedaços de manteiga ficarem bem pequenos.

Em um recipiente, misture o ovo e o buttermilk e adicione aos poucos à mistura da batedeira. Coloque um pouco de farinha na pia e faça uma bola com a massa. A massa vai em cima do papel manteiga e direto ao forno por 45-50 minutos.


Outra opção é usar uma forma de pão retangular. O tempo de forno é o mesmo, só amasse os cantos e deixe a massa plana para que o pão não fique torto.


O pão quentinho fica ótimo com manteiga, doce de leite ou cream cheese. Depois de frio, guarde na geladeira em um saco plástico.

Se por acaso alguém testar essa receita no Brasil com o bicarbonato de sódio e iogurte natural, deixe um comentário contando o resultado =)

O que fazer com a baunilha?

Uma vanilla bean, ou a baunilha em fava, custa uma fortuna. Nunca comprei no Brasil, mas por aqui sai US$10 uma ou duas favas, dependendo do lugar em que você compra.

E claro que aqueles pontinhos pretos no crême brûlée, panna cotta ou até no cookie fazem toda a diferença, mas o que fazer com a fava que sobra?

Uma pastry chef me deu uma dica super interessante: seque um pouco a fava - eu deixei alguns dias na bancada da cozinha, mas pode deixá-la perto do fogão também que o calor ajuda - e coloque no açúcar.

Hmmm... o cheirinho é maravilhoso! Dá um toque especial a qualquer café, chá ou doce, sem ter aquele sabor artificial dos syrups. E um pequeno pedaço já faz toda a diferença.

Oct 12, 2010

Pizza Caseira

Eu cansei da massaroca das pizzas americanas. E olha que ainda pelo menos Nova York tem aquelas pizzas por fatia... Mas pensa: a pizza é feita, fica ali naquela luz meio quentinha e, na hora em que você pede, eles colocam no forno de novo. Só faltava colocar no microondas, né?

E eu tentei: fui ao John's e Lombardis. As pizzas são realmente muito gostosas, mas não entregam em casa. [Lombardis] é de longe a minha favorita, não só pela pizza em si, mas pelo ambiente bem caricato, com aqueles quadros do gordinho tirando pizza do forno ao lado de gente famosa.

E confesso sim que tenho os meus dias de Dominos, gordíssima com pepperoni e queijo fetta. E aqui no nosso bairro, ela é melhor que a PizzaHut. E ainda pegamos as promoções de 2 pizzas por $5.99 cada, congelamos o que sobra pra comer depois. Yac total! Ah, se os antepassados italianos me vissem fazendo isso.

E chegou o dia em que eu cansei dessa mezzelecada e decidi fazer uma pizza em casa.

A pizza demora TRES horas pra ficar pronta, pois a massa tem que crescer por 1h:30min, ser cortada ao meio, esticada e ainda crescer por mais 1 hora. Ou seja, até rechear e assar, três horas. Mas não dá trabalho, é só sentar, ver tv, conversar, tomar um vinho, enfim, que uma hora a pizza fica pronta. Fala pro convidado que ele vai chegar e você estará meio enfarinhada, mas ok!


Fiz duas versões: uma com molho de tomate - esse eu fiz na véspera com o tomate que estava estragando - e mussarela pro maridão que gosta de pizza bem simples, da foto acima. A outra tinha um pouco de pesto que tinha sobrado na geladeira, molho, mussarela, gruyere, orégano e rúcula. Hmm...


E a receita não tem segredo nenhum: procurei por pizza dough no Epicurious e peguei uma que parecia legal. Segui as recomendações das reviews que falavam para adicionar uma colher de açúcar para o fermento crescer, e pronto!

[Clique aqui] para ser redirecionado à receita.

Oct 9, 2010

Banana Pancakes

Fiquei com vontade de comer umas panquecas de banana por causa da música do Jack Johnson que apareceu pelo meu iPod recentemente. Besteira, né? Mas enfim! Procurei receitas e tentei deixar o café da manhã com uma cara mais saudável usando um pouco de farinha integral e farinha de sarraceno.

Receita: Panqueca de banana

1 ovo
1 xícara de chá de leite
1/4 colher de chá de sal
1 colher de sopa de açúcar

1/2 xícara de farinha de trigo
1/4 xícara de farinha de trigo integral
1/8 xícara de farinha de sarraceno
1 colher de chá de fermento em pó
1 banana fatiada

Misture os quatro primeiro ingredientes em um recipiente.
Em outro recipiente, misture os ingredientes secos (farinhas + fermento), e os incorpore aos poucos à mistura líquida com a ajuda de um whisk (fue). Por fim, adicione a banana e misture levemente. A mistura tem que ficar homogênea e líquida.


Leve uma frigideira pequena ao fogo. Se não for teflon, coloque 1 colher de chá de óleo e esquente bem. Com a ajuda de uma concha, coloque 1/4 da massa. As bordas começarão a ficar douradas, então vire a panqueca. Deixe por mais alguns segundos, até desgrudar completamente. Faça uma panqueca por vez.


Sirva bem quente com mel ou maple syrup.

Oct 8, 2010

Noma - o livro

O [Noma] é um restaurante que fica lá na Dinamarca. Ele assumiu neste ano a primeira posição na lista dos [50 melhores restaurantes do mundo] e chamou muito a atenção por não fazer parte de uma das manjadas regiões gastronômicas do mundo. O restaurante valoriza muito os ingredientes nórdicos e os incorpora com uso de técnicas modernas em pratos maravilhosos.

No dia 4 de outubro o Chef René Redzepi lançou o livro Noma em inglês e, para a minha sorte, Nova York fazia parte do seu roteiro de lançamento. E mais sorte ainda que a William-Sonoma do Columbus Circle reservou seu espaço para que fãs, chefs e curiosos fossem ouvir um pouco mais sobre ele. Veja no vídeo abaixo.


[The idea of the book] was to create an extension of the restaurant, which I think we have. One of the most regrettable things for me running a restaurant like Noma is that it doesn't reach out to a lot of people. The fact that, you know, you have to be able to afford it. So even if you love great food and modern food you have to have a certain paycheck to be able to afford it.

So for us it was such a big point that we made a very high quality book that represents the restaurant, an extension of it so people can get an inspiration from it.


E ainda teve um gostinho de uma das suas sobremesas: Sea buckthorn and Beetroot Flødeboller e Spruce Granita. Sea buckthorn é uma frutinha que cresce em regiões de dunas, e foi combinada com beterraba num tipo de merengue que recheava o flødeboller, lembrando muito a nossa nhá-benta; a spruce granita é uma raspadinha de um pinheiro nórdico.


Se você estiver de passagem pela Dinamarca e quiser conhecer esse restaurante, prepare-se: as reservas são feitas pelo site com três meses de antecedência. No primeiro dia do mês eles recebem 30.000 clicks e no segundo dia do mês, as reservas estão todas esgotadas.

Oct 4, 2010

Concertos, Chuva e Wafels

Dia horroroso. Vontade zero de sair de casa, só de ficar embaixo da coberta tomando chá. Mas eu tinha me comprometido a ajudar num concerto da American Classical Orchestra. Trabalhei por um tempo para eles como a coordenadora dos voluntários, me desliguei depois que comecei estudar, mas achei que seria legal ajudar no primeiro concerto da temporada.

Peguei só um pedaço do concerto, mas foi lindo. O legal de ajudar é que sempre acabo pegando também os ensaios, as conversas, o que às vezes é até mais interessante do que a apresentação em si. E Mozart e um concerto de contrabaixo sempre fazem bem pra alma de qualquer um.

E apesar da chuva chata, daquelas fininhas que vem de todos os lados, molhando tanto que você se pergunta por que está carregando o guarda-chuva, resolvi voltar a pé pra casa. Só 15 quateirões, 9pm, sussa.

E ainda bem! Pelo meu caminho acabei encontrando o [Wafels and Dinges], um caminhão de wafels belgas! Morrendo de fome, sem ter jantado, foi parada obrigatória!


Há dois tipos mais famosos: o Brussels wafel, retangular e bem típico belga, e o liège wafel, redondo e massudo. E com diferentes combinações de dinges - as coberturas - você tem sanduíche de sorvete, com bacon ou carne de porco desfiada.


Pedi o liège pela sua descrição chewy - adoro coisas meio massudas. O segredo desse wafel são as pérolas de açúcar importadas da Bélgica. Elas não dissolvem na massa e, quando entram na máquina de wafels, ficam queimadinhas e crocantes.


E pra ficar ainda mais delicioso, cobertura de Nutella. Hmmmm...


E como uma boa novaiorquina, sai andando pelas ruas e devorando o meu wafel. Sem guardanapo, sem frescura. Encontrei o caminhão na 62nd com Broadway, e tinha devorado meu wafel já na 58th St com 8th Ave - googlemaps me contou que demora 4 minutos!

Para saber onde eles estão, [clique aqui], pois os lugares mudam a cada dia.

O Brazuca Casa

"Como você aguenta viver aí nos Estados Unidos sem..."

Já ouvi pão francês, laranja no bagaço, requeijão, sonho de valsa, maguary, bis... A lista vai longe. E engraçado mesmo, eu não sinto muita falta de tantas coisas assim. Claro que eu abuso das minhas visitas, que trazem bolachas água e sal, manteiga Aviação e cachaça, mas é muito mais pela diversão de comer coisinhas assim do que pela necessidade de certos sabores.

Acredito que quando moramos em um lugar, acabamos nos adaptando a ele. O cream-cheese substituiu o requeijão, o pão de forma, o francês, e os Lindts, os Nestlés - nada mal, né? Eu ainda faço um strogonoff de vez em quando, uma lasanha e um risoto, mas não acho que nada é nem muito americano nem muito brasileiro. Os restaurantes que frequentamos são japoneses, asiáticos, italianos, franceses... Enfim, nada muito diferente do que seria em São Paulo, umas coisas a mais, outras a menos.

Mas claro que de vez em quando é muito bom comer certos pratos que são tão familiares ao nosso paladar. E fica mais divertido ainda quando você pode apresentar um pouquinho da nossa gastronomia para uma amiga. Foi com essa ideia que fomos ontem almoçar no [Casa], um restaurante brasileiro no West Village.


O dia estava lindo, temperatura agradável entre 15-20ºC, perfeito pra feijoada aquecer e não pesar muito no estômago. Mas antes disso, começamos o almoço com pastel, coxinha e bolinhas de queijo, o nosso finger food. Vinagrete e pimentinha acompanharam os salgadinhos, que estavam muito bem feitos.


Depois pedimos duas feijoadas para três pessoas, e sobrou um monte! A feijoada de lá é bem saborosa, a farofa crocante e a malagueta agradou muito. Ela até me perguntou: "Se pimenta faz parte da sua cultura, como você é tão sensível e não come nenhuma?" E a minha resposta foi: porque nossa cultura é uma colcha de retalhos, e cada família desenvolve os seus sabores de acordo com as suas origens. Minha avó fazia feijoada, servia com arroz japonês (gohan) e não usava pimenta.


Para finalizar o almoço, um cafezinho passado na hora e brigadeiros. Essa minha amiga até comentou: "Olha! É aquilo que comi na sua casa, mas sem a colher".


Casa: 72 Bedford St
F: (212) 366-9410

Oct 1, 2010

Doughnut Plant

Quando você acha que não tem mais o que inventarem no mundo peculiar da gastronomia de Nova York, slapt! Vem mais uma coisa que te encanta pela audácia, pela coragem de investir em algo tão específico e por achar um produto que consiga conquistar tanta gente.

E uma das minhas recentes descobertas - que nem é tão recente assim por aqui, mas só demorei pra ir mesmo - foi o [Doughnut Plant]. Exato, um lugar que só vende doughtnut (o bom e velho donut mesmo). E se você pensou nas rosquinhas do Homer, no açucarado do Dunkin ou Tim Hortons, você não sabe o que é doughtnut de verdade.


Eu tinha lido muito sobre seu yeast doughtnut, em que a massa tem fermento tipo fresco e passa por um descanso, deixando o doughnut muito mais fofinho. E é uma daquelas histórias em que ele pegou a receita do avô, começou a produzir num espaço pequeno pelo Lower East Side para revender em padarias até que um dia abriu seu negócio próprio. Alguém comeu esse doughtnut, outro alguém comeu também, o cara ficou famoso, apareceu em jornais e hoje tem uma fila enorme na sua porta.

E aí? Ai, gente, dá vontade de entrar na fila de novo! Sorte que eu fui com o maridão, e assim pedimos dois: o primeiro foi o famoso de Creme Brulee, com casquinha crocante de açúcar queimado e baunilha de verdade no creme.


E o segundo foi o coberto com chocolate Valrhona. Não preciso falar mais nada, né?


Sensacionais, e ainda fiquei morrendo de vontade de experimentar o Tres Leches, um tipo de massa de bolo recheado com creme de leite, leite condensado e leite evaporado, e o de vanilla bean + blackberry jelly, dá pra imaginar baunilha com uma geléia de amora que eles mesmo fazem? Hmmm...

Ainda bem que amanhã eu vou passar pelo Lower East Side, vou tomar um brunch no [Essex]. Com certeza comprarei alguns pra comer lá e pra levar pra casa!