Sep 29, 2010

Onde estamos?

E onde foram parar todos aqueles encontros diários, o papo furado do vestiário, e reclamação do almoço? Dá muita saudade disso tudo, então resolvi fazer um encontrinho em casa com os mais chegados do nosso curso.

Uma pena que uma está na França, fazendo um estágio super legal lá por Nice, outra está de férias na Turquia visitando a família, mas com um pequeno desfalque ainda tivemos um jantar muito gostoso.

O tempo ajudou e com algumas mesas cheias de comidas nos encontramos no terraço do meu prédio. Para facilitar, cada um trouxe um pratinho, e tinha torta, salada, sacola recheada do mercado italiano, diversas cachaças e muitos vinhos.

E o que eu fiz? Um enroladinho de massa folheada com tomate seco, queijo de cabra e pesto, bolinhos recheados de doce de ovo português com coco, o infalível e cobiçado brigadeiro de colher e uma quiche de portobello com espinafre. Fiz também uma versão diferente dos [Cookies] com canela, cacau e pimenta rosa que sumiu rapidinho.


As histórias foram muito legais. Uma amiga minha voltou a trabalhar com alguns chefs da FCI como organizadora de eventos, e leva outros eventos gastronômicos como freelancer paralelamente. Alguns resolveram seguir um caminho como o meu, e estão trabalhando em restaurantes pela cidade. E tem também uma bloggeira que comecou a desenvolver seu próprio negócio como private chef e cozinha em pequenos eventos.


Compartilhamos nossas experiências, novidades, alegrias e frustações desses dois meses de formados até altas horas. Teve também pitaco e opiniões de maridos, namorados e irmãs sobre essa nossa vida maluca de chefs. E promessas de mais encontros pelo mundo a fora. Tomara!

Sep 25, 2010

Food Bank Dumpling Festival

Hum... Sabadão lindo de sol! O frio do outono está chegando e deixando as pessoas já morrendo de saudades do calor - ugh, sei lá por que esse povo sente saudades de suar, mas enfim - e assim os novaiorquinos não perdem qualquer chance de ficar ao livre.

Aliás, é tanta a vonta de ficar outdoors que revista Time Out NY dessa semana, por exemplo, veio com várias dicas de festivais e atividades. Uma delas é o [Le Grand Fooding], em que chefs Novaiorquinos enfrentam famosos de San Francisco. Ai, eu perdi! Confesso que a muvuca não me animou muito. Uma amiga minha foi, e tô doida pra saber como foi... Mas enfim! Quando bateu o remorso de não ter os ingressos, era tarde demais e estava tudo esgotado. Fica pra próxima.

Mas mesmo assim o estômago é mais forte e eu fui conferir o [Dumpling Festival] lá no Lower East Side. Os lucros desse festival - que arrecadou no ano passado US$17mil - são redirecionados ao [Food Bank] de Nova York, uma ONG que distribui comida na cidade de NY e ensina as pessoas a como se alimentar bem.

Mas pera: o que é um dumpling? Ele pode ser várias coisas, mas resume-se a uma massa meio bolotinha recheada. Para os italianos é o ravioli. Para os japoneses, o guiozá ou até um mochi. E não é que essa bendita massa recheada está presente em vários países?!

E a ideia é bem interessante: você compra um ingresso que custa US$20 e tem direito a comer quatro pratinhos de dumplings. Cheguei lá às 2pm e o mapas já tinham acabado, então fui ver o que tinha em cada barraquinha e espiei o que as pessoas carregavam. Que dúvida!

A minha primeira foi a [Macao Trading Co.]. Um dumpling frito com carinha de pastel muito gostoso, e impressionante como era sequinho e fresco apesar de todas as filas. O molhinho era colocado segundos antes de entregarem o prato pra não fazer meleca.


A segunda parada foi o [Chef One], com trouxinhas crocantes recheadas de frango. Gostoso, mas um pouco gordurento pois tiraram da frigideira direto pro pratinho. Não posso reclamar que não estava quente e crocante!


O terceiro foi um dumpling típico da Malásia que tinha lemongrass (erva-doce) dentro. Era bem engracadinho, com uma massa que lembra Doritos, mas uma proporção esquisita de muita massa pra pouco recheio.


E o último: doce! Um dumpling de arroz com duas opções de recheio: gergelim e misto de castanhas. Pedi um mix e adorei os de castanha! Super crocante e doce na medida. O de gergelim acabou tendo aquela textura esquisita meio de areia. Ah, e ele era BEM grudentinho como o tradicional mochi japonês.


Foi muito divertido, mas as filas eram gigantes. Acabei desistindo de um dumpling que era cozido no vapor pois a fila estava impossível, do dumpling coreano com medo da pimenta e também dos dumplings polonês e italiano, pois não pareciam tão apetitosos. A dica pra próxima: ir em um grupo de pessoas, cada um entrar em uma fila diferente, pegar um ou dois pratos e poder experimentar todos!

Sep 16, 2010

Um dia em Philly, nenhum cheesesteak

Fiz um bate-volta em Philadelphia para encontrar um casal de amigos que está por lá. Para aqueles que vem para NY e querem uma viagem dentro de uma viagem, é uma ótima opção!

E nesse tempo - faz duas semanas que fui - fiquei me debatendo sobre onde publicaria esse post. Claro que há muitas coisas deliciosamente gastronômicas por lá, cidade em que nomes como Morimoto e Buddakan surgiram muito antes de pintarem por Nova York. Mas ao mesmo tempo foi um dia de muito turismo e de conhecer uma cidade nova.

E por que ele veio parar nesse blog aqui e não no [50th&8th]? Porque a comilança prevaleceu! E como minha própria mãe um dia falou para mim "os passeios turísticos são meros exercícios entre uma refeição e outra pra você".

Peguei o trem que saia da Penn Station às 11:35am e cheguei pontualmente às 12:56 em Philadelphia. A viagem de trem não é tão bonita quanto entre NY-Boston, então vale pegar um trem mais cedo e tirar um belo cochilo.

Verde de fome, meus amigos me levaram ao [Matyson]. Duas coisas são imperdíveis: a sopa de ervilhas, que é super cremosa e estava divina mesmo sob um calor de 34ºC, e uma simples salada Caesar com seus croutons de polenta com queijo parmesão. Ainda inovamos um pouco e pedimos a massa do dia - com uma combinação de linguiça, mariscos, grão de bico e pimentões - e a salada de atum com melão e cebola crocante. Tudo maravilhoso e em porções bem grandes.


O dia continuou com uma parada obrigatória pelo [Reading Terminal Market]. Me lembrou muito o Chelsea Market de NY, mas com ar mais rústico. Há barraquinhas de frutas e legumes, diversas opções de lanches e refeições e muitos produtos Amish, das fazendas da região. Dá aquela vontade de encher as sacolas, voltar pra casa e fazer um jantar gostoso!

Claro que também fiz coisas super turistongas como ver o Liberty Bell, correr a mesma escadaria do Silverster Stalone em Rocky, ver a famosa estátua LOVE do Robert Indiana e andar pelo campus da UPenn. É uma boa caminhada, mas a cidade é super pequenininha e dá pra fazer quase tudo a pé.


E o dia acabou com uma jantar no [Mercato], um restaurante que tem o conceito BYOB (bring your own beverage), bem mais comum em Philly do que em Nova York. A chef Mackenzie Hilton foi uma das vencedoras do [Chopped], um reality show de chefs. O cardápio é bem simples, com base em produtos locais e influência italiana. Para esperar os pratos chegarem, pedimos uma tábua com dois queijos e um salame muito bom.

Eu comi um carne de cordeiro com bacon acompanhada de alcachofras e espinafre. Meu amigo foi na pasta do dia, feita no próprio restaurante com muito parmesão, espinafre e cogumelos. Mas o melhor prato da noite foi com certeza o papardelli coberto por um molho bolonhesa maravilhoso que levava linguiças de carne de vaca e de porco na sua mistura.


E para fechar a noite, antes de pegar o último trem que sai de Philly às 10:45pm, comemos uma cheesecake de Mascarpone com mel e castanhas. Como ninguém nunca pensou nisso antes? A leveza do marcarpone deixa essa cheesecake impecável! Ah, se eu pudesse levava uma pra comer no dia seguinte!


Matyson: 37 South 19th St; entrada + prato + refrigerante US$25 *
Reading Terminal Market: 51 North 12th St
Mercato: 1216 Spruce St; prato de frios + prato + sobremesa US$30 *
Passagem de trem ida e volta: US$ 94.00
(*) Preços com taxas e gorjetas.

Sep 12, 2010

Gnocchi

Recebi visitas muito legais nessa última semana. Aliás, testei a mesma receita de cookies com uva passa e coco, e ficou ótima!

O meu grande desafio foi agradar o paladar de todos: a casa tinha uma combinação difícil com um que não come vários legumes e outro vegetariano. Usei a criatividade e sairam alguns jantares até que legais. Dentre eles, um típico mac'n'cheese feito com queijos gruyere, asiago, fetta e gorgonzola, e também uma lasanha com molho de tomate, ricota, espinafre e bechamel.

E hoje, depois que todos foram embora, fui ver o que tinha sobrado na geladeira. Achei umas batatas, uns tomates e procurei uma receita de gnocchi no [Epicurious]. Fiz algumas adaptações e ela segue abaixo.


Massa do gnocchi

500g de batata
1 ovo
2 colheres de sopa de iogurte
1 xícara de farinha de trigo
½ xícara de farinha de trigo integral
½ colher de chá de sal
½ colher de chá de noz moscada

Cozinhe as batatas em água fervente até ficarem macias. Descasque, amasse e espere ficarem mornas.

Misture o ovo e o iogurte a parte. Bata o suficiente para quebrar a gema.

Em um recipiente, misture as duas farinhas, o sal e a noz moscada. Pegue mais ou menos 2/3 da mistura e forme um anel na bancada da cozinha. Coloque a batata no meio do anel, e misture levemente. Acrescente o ovo e o iogurte.

Não se pode sovar a massa, para não endurecer. Misture de leve com as pontas dos dedos até ficar homogêneo. Se ainda estiver grudando, coloque o restante da farinha aos poucos.

Pegue uma bolota de massa e estique na bancada polvilhada com um pouco de farinha, fazendo cilindros de um pouco mais de 1cm de diâmetro. Basta cortar com uma faca em pedaços de 1-2cm.

Cozinhe os pedaços em água fervente por 5 minutos. Coloque em uma assadeira ou travessa com azeite para não grudarem.

Molho

1 cebola média picada
2 colheres de sopa de óleo
350g de carne moída
800 de tomate "pelado" em lata
1 cenoura ralada bem fina
2 ramos de alecrim
salsinha picada
sal e pimenta

É um molho bem simples: refogue a cebola em óleo, junte a carne moída, e assim que estiver cozida, coloque o tomate, cenoura, alecrim, salsinha, sal e pimenta. A cenoura quebra a acidez do tomate e é o meu segredinho de um bom molho de tomate.

Coloque o molho sobre o gnocchi e um pouco de queijo ralado. Leve ao forno por 10-15minutos, ou até o queijo derreter.

Sep 2, 2010

Cookies

Tem algumas receitas que são super multi-uso, servem de base para usar a criatividade. Eu sei que há muitas receitas de cookies por aí, e a minha nem é uma coisa tão elaborada. O que ela tem de especial? Ganhei de uma amiga canadense há cinco anos e é infalível.

Fiz algumas alterações aos ingredientes. Primeiro, substitui metade da farinha de trigo total por farinha de trigo integral. Se você não tiver, pode usar toda a quantidade de farinha normal mesmo, eu só quis me sentir um pouco mais saudável. Outra alteração foi o brown sugar. É semelhante ao açúcar mascavo, mas eu não tinha em casa, e usei açúcar de cana normal.

Base da massa

½ xícara de açúcar
½ xícara (1 tablete) de manteiga derretida
1 ovo
gotas de essência de baunilha
½ xícara de farinha de trigo
½ xícara de farinha de trigo integral
½ colher de chá de baking powder (ou fermento em pó)
¼ de colher de chá de sal (uma pitada)

Em um recipiente, misture o açúcar e a manteiga. Depois de homogêneo, junte o ovo, baunilha e farinha(s). Por fim, adicione o sal e o baking powder ou fermento.


essa é a cara da massa crua com choco chip branco

Para essa quantidade de receita, recomenda-se 1 xícara de gotas de chocolate. Mas acrescente aveia, castanhas, gotas de chocolate, M&Ms, o que quiser.

As minhas escolhas foram: cocoa nibs (pedacinhos de cacau) adicionados a massa toda para dar um amargo crocante e, sem conseguir escolher, dividi a massa em três partes: gotas de chocolate branco, gotas de chocolate amargo e coco ralado.


Faça bolinhas (2-3 cm de diâmetro) e coloque em uma assadeira. A massa estufa um pouco e se espalha, então não coloque um cookie muito perto do outro. Eu usei minha assadeira de Madeleine com a mesma quantidade. Asse por 10-13 minutos a 180º C (350º F) e coloque no meio do forno, para que asse sem queimar o fundo. Os cookies ficaram macios e molhadinhos por dentro.


Eu gosto de cookies meio molengas (chewy), mas se quiser mais crocantes é só diminuir o forno para 150º C e assar por mais 5 minutos. Cuidado para não queimá-los!

Sep 1, 2010

Meus leitores!

Gente gente gente!
Fui clicar no novo ícone que apareceu aqui na minha página principal do blog e descobri que meus leitores estão super espalhados pelo mundo! Que legal! Esse é o mapa da minha audiência da última semana.


A grande maioria é brazuca, como eu já imaginava, e me surpreendeu Moçambique, mas que ok, também fala Português. Agora quem será que da Rússia viu meu blog nos últimos 7 dias?