Aug 31, 2010

How Life Goes On

Bom gente, e aí, né?
Eu me formei, fui viajar e o que aconteceu?

Antes de ir viajar eu pesquisei alguns restaurantes e o que queria fazer da minha vida de formanda em Culinary School. Descobri um pouco sobre como funciona o mundo dos restaurantes por aqui e vai a explicação:

Você pode pedir para ir a um restaurante e fazer um trail ou stage, que são basicamente a mesma coisa, mas com nomes diferentes. Acho que é o que poderia ser chamado de entrevista nessa área. Você vai ao restaurante e observa e é observado por um dia.

Há alguns lugares que vão pedir para você fazer certas tarefas. Para quem está no começo, podem pedir para descascar umas batatas, picar umas cebolas ou quebrar umas patas de lagosta. Dizem que o objetivo é analisar a sua agilidade e habilidades. Para outras pessoas podem pedir para fazer um peixe, uma carne ou uma massa.

Além disso, no trail você observa a cozinha, vê se gosta do ambiente e se é um lugar em que realmente quer trabalhar. Experimenta muita coisa, pergunta outras mais. Parece besteira, mas eu, por exemplo, não acho que encaro trabalhar em algum lugar com muitas pimentas e comidas ardidas, pois não conseguiria avaliar se a comida está realmente gostosa ou só queimando a minha boca.

E no final do dia, você conversa com o Chef de Cuisine ou Executive Chef. Ele diz se gostou de você, e você se gostou do restaurante.

Bom, e antes de ir viajar eu fiz tudo isso, pesquisei lugares, comidas e chefs. Pensei no que eu realmente gostava de cozinhar e onde eu queria trabalhar. E o passo era quase mais largo que as minhas pernas, mas deu certo!

Me candidatei a fazer um stage no [Le Bernardin] e passei um dia com eles. Fui viajar, voltei e no dia seguinte, com um fuso maluco de 6 horas na minha cabeça, comecei a trabalhar lá.

Claro que eu assino um contrato gigantesco e não posso publicar receitas, fotos, nada. Mas eu posso contar que trabalho lá e falar um pouco do restaurante.

Pra quem não conhece, O Le Bernardin é comandado pelo Eric Ripert e tem suas 3 estrelas Michelin e 4 estrelas do New York Times. Na época em que recebeu suas estrelas foi uma conquista super legal, pois era um dos primeiros restaurantes que se especializou em peixes e uma qualidade extrema de ingredientes, com combinações que são sofisticadas no paladar, mas simples nas receitas.

Sou uma super fã de peixes por vários motivos: é uma coisa tão simples e delicada que pode ser maravilhoso ou muito ruim. Peixe não deixa espaço para pequenos erros. Adoro delicadeza dos ingredientes e como você manipula, cozinha, deixa marinando, assa, enfim! Tem espaço pra muita criatividade e combina com tudo.

Ou com quase tudo, pois o cheiro de peixe sim, gruda em mim. Ainda bem que eu volto andando pra casa, senão o metrô virava uma sardinha enlatada ao pé da letra.

Aug 28, 2010

A fritatta

Acordei cedo e, de novo, nosso personal deu cano. Pra não achar que a gente é tão metido assim, explico: temos uma academia no prédio e achamos um personal que treina algumas pessoas por aqui. O custo é bem razoável, e acaba saindo mais barato do que ir a uma academia na cidade. Aliás, é mais barato do que fazer academia em São Paulo!

Mas voltando, com o furo do personal eu acordei às 10am e estava com fome. Naqueles horários meio esquisitos de fim de semana, que 10am parece muito tarde pra café da manhã, mas muito cedo pra fazer um almoção, resolvi inovar.

A fritatta não tem frescura nem segredo. É um simples omeletão. A base é sempre de ovo, e a mistura de ingredientes vai ao gosto do freguês. Por aqui vejo muito como uma opção em brunch para vegetarianos, e em casa é um daqueles pratos em que você pega um pouco de cada coisa que sobrou na geladeira.

Pra melhorar ainda meu dia, estreiei a minha mais nova e lindíssima frigideira All-Clad. Ela é de aço-inox e não tem teflon. Aprendi nas aulas como usar uma panela dessas sem que a comida grude no fundo. O segredo? Uma (ou duas, dependendo do tamanho) colher(es) de sopa de óleo na panela quente até quase esfumaçar. Tem que ser óleo vegetal mesmo, não azeite, pois o smoking point do azeite é baixo, e com o calor há formação de compostos ruins e cancerígenos.

E as vantagens? Bom, além dela ser linda e ir do fogão pro forno a qualquer temperatura, não há a possibilidade de você acabar comendo um metal esquisito porque alguém passou um garfo ou o lado verde da esponja no fundo da panela de teflon.


Receita da minha fritatta, serve 2 pessoas famintas:

1 shallot picadinha (alguém pelo-amor-de-deus sabe como se fala shallots em português?). Se não tiver, pode ser meia cebola
6 tomates cereja. Pode usar tomate normal, eu só tinha esse na geladeira
5 aspargos picados
4 colheres de milho em lata, sem a salmoura
3 fatias de presunto picadas
3 colheres de parmesão ralado
3 ovos
sal e pimenta

Refogue em uma panela pequena a shallot (ou meia cebola) até ficar mole. Junte os aspargos, tomate e milho só pra esquentar.

Em um recipiente a parte, quebre os ovos e misture bem até ficar homogêneo. Tempere com uma pitada de sal e um pouquinho de pimenta. Não coloquei muito sal porque o presunto era salgado, mas se não for colocar presunto, pode colocar umas 2 pitadas.

Incorpore ao ovo o queijo parmesão ralado e a mistura de shallots, aspargos, tomate e milho.

Coloque sua frigideira no fogo alto com uma colher de óleo, deixe esquentar, e jogue toda a mistura de uma vez, e diminua o fogo para médio. Quando o fundo começar a dourar, coloque no forno. E aí tem um segredinho que não sei quão comum é nos fornos brasileiros: o broiler. Broiler é aquela chama no "teto" do forno. Deixei no modo mais forte e demorou uns 10 minutos para a fritatta dar uma crescida e dourar. Se você não tiver o broiler, dá para simplesmente virar (flip) a fritatta na frigideira no fogão mesmo.

Pronto! Ela geralmente é servida em cortes wedges, como fatias de pizza.

Aug 22, 2010

Swedish Meatballs e Daim tart

Para todas aquelas pessoas que já foram ao IKEA e comeram um pratão de meatballs com molho tipo gravy, purê e uma mistura esquisita de umas bolotinhas vermelhas: sim, esse prato existe!

Um dos "to-do's" da minha lista era comer uma Swedish meatballs na Suécia. E uma de verdade, com carne de verdade, e não a gororoba esquisita que fica ali requentando o dia inteiro lá no IKEA. Por conta do pequeno imprevisto que aconteceu na nossa viagem, eu acabei matando a vontade graças ao serviço de quarto do hotel. No nosso último dia, pedi um pratão das meatballs no quarto!


E o que eu achei? Vamos lá: essas eram almôndegas de verdade. Muito bem feitinhas, suculentas e saborosas. O molho gravy é bem comum, assim como o purê. E as frutinhas? São lingonberries. É uma frutinha rica em vitamina C e geralmente servida na forma de geléia. Elas são bem comuns pela Escandinávia inteira - aliás, um belo prato de almôndegas com purê e lingonberries pode ser encontrado em vários lugares, e comi um bem gostoso também na Noruega.


Para eles, as almôndegas fazem parte de um prato típico de inverno, naqueles dias de caminhadas longas pelas montanhas fazendo crosscountry-ski. Não que a gente tivesse tanta caloria pra queimar, mas ainda assim comi esse pratão de almôndegas com batatas e lingonberries, que vinha com um repolho misturado com sour-cream que não gostei tanto.

E a Daim tart? [Daim] é um caramelo crocante com amêndoas coberto de chocolate. É um chocolate bem comum que se encontra em qualquer supermercado ou 7Eleven. A torta, que também conheci lá no IKEA, leva camadas de uma massa com farinha de amêndoa, buttercream e chocolate ao leite.


Maravilhosa! Para a minha felicidade, encontrei em Estocolmo e também em Helsinki! Mas essa não era tão diferente da do IKEA não. Ainda bem, quando der aquela saudade, é só pegar um metrô até o Brooklyn, comer uma tortinha e aproveitar a ida pra comprar umas coisitchas legais e baratas pra casa.

Aug 19, 2010

De volta e a mil por hora

Eu sumi. Eu sei. A viagem foi maravilhosa. Além da Escandinávia ser um lugar de tirar o fôlego em cada esquina, contamos com a sorte de termos amigos espalhados por quase todos os cantos.

Comemos refeições típicas e feitas com muito amor de carinho por todos eles. Em Helsinki, na Finlândia, fomos convidados pela Jenni e seu marido Tatu para um jantar típico com herring marinada, truta defumada e uma carne de reindeer. Muito interessante, o bife de rena é tão macio quanto um filé mignon, mas tem um gosto mais forte.


Já na Noruega, fomos super bem alimentados pelos nossos amigos que ainda nos hospedaram na sua casa. Comemos café da manhã típico com muito sanduiche, queijo norueguês e caviar em tubo de pasta de dente. Além disso, tivemos também jantares maravilhosos com muito salmão, frutos do mar e batatas!


E pra finalizar, na Dinamarca comemos sanduiches abertos que são o almoço do dia a dia deles, pratos com herring, salmão e horseradish, e a última refeição da viagem teve um Koldskal com Kammerjunkere: um yogurt muito gostoso com uma bolachinha doce que é uma sobremesa que as crianças comem no verão.


E fora isso tudo, comemos muitas outras coisas muito legais e vimos paisagens, pessoas e construções interessantes a cada passo. É tanta coisa que nem cabe em um post só! Fica mais recheio então para o próximo, e espero ter organizado as minhas 789 fotos até lá.

Aug 2, 2010

De Estocolmo

Sim! Eu vim passear pelas bandas da Escandinávia por 2 semanas. Nosso roteiro ainda inclui outras cidades como Helsinki, Tallin, Copenhagen, Bergen e Olso.

Até a volta com relatos de comidas e lugares muito interessantes!