Dec 8, 2010

Pão de queijo

Pela primeira vez na vida eu fiz pão de queijo e me arrependi de todas as trocentas vezes em que eu comprei a misturinha pronta no supermercado. O trabalho não é muito maior, e o sabor é TÃO TÃO TÃO melhor!


E a inspiração veio de uma visita muito querida que trouxe um pacote de polvilho azedo para mim de surpresa. Dei uma olhada em receitas online e em opções pra substituir o queijo mineiro, e achei essa daqui.

500g de polvilho azedo
150ml de água
150ml de óleo
150ml de leite
1 colher de sopa de sal
3 ovos
80g de queijo parmesão ralado

Numa tigela coloque polvilho azedo e o queijo parmesão.

Numa panela em fogo médio coloque água, óleo, leite e sal e deixe ferver. Jogue no polvilho escaldando-o e misturando bem. Deixe esfriar.

Acrescente os ovos um a um misturando-os bem. Amasse bem com as mãos e vá fazendo pequenas bolinhas e colocando-as numa assadeira. Leve para assar em forno pré-aquecido a 200º C por 25 minutos. O tempo depende do tamanho das bolinhas, asse até ficar dourado.

Dec 6, 2010

Thanksgiving

Thanksgiving - a festa de Ação de Graças - é uma coisa muito americana, né? Todo mundo pensa no peru, no stuffing e na pumpkin pie. Já passei de formas diferentes. Meu primeiro Thanksgiving foi com uma família linda que nos acolheu e explicou as tradições e costumes. A celebração da última colheita, as cores e os ingredientes tão típicos do outono.

O segundo Thanksgiving não foi tão tradicional nem romântico, mas ainda assim teve peru: fui comer lá no [Brasserie 8½] com o maridão e uma amiga. O peru era bem feito, e achei que valeu muito a pena.

E esse ano tivemos um Thanksgiving ainda mais diferente: fomos convidados pela Liana, uma amiga minha da FCI, para passar em Lodi, uma cidadezinha minúscula que fica a 5 horas de Nova York.

A região de Finger Lakes, onde fica Lodi, é famosa por sua produção de vinhos. E qual a sorte de realmente ficarmos em um dos produtores locais, pois os pais dela são os donos da Shalestone Vineyards. Estávamos rodeados por parreiras, e tínhamos vinhos gostosos acompanhando todas as refeições do feriadão.


E olha que legal: a família divide as tarefas da cozinha, e assim cada casal é responsável por criar um prato. E pra coordenar a comilança toda, o "jantar" começou às 2pm. O irmão da minha amiga ficou com a salada: folhas verdes com queijo de cabra, nozes, cranberry secas e um vinagrete de vinho branco.


O meu prato foi, claro, o peixe. Pensando que a festa de Ação de Graças é uma coisa tão cultural, resolvi colocar um pouquinho da minha cultura no meu prato: fiz um ceviche de hamachi - um peixe japonês também conhecido como yellowtail - acompanhado de rice crackers, mini-beterrabas e temperado com togarashi, uma pimentinha japonesa.


Ceviche é uma bricadeira fácil de se fazer, em que a gente pode misturar os ingredientes favoritos sem muita forma nem ordem. Segui uma receita de uma amiga chilena, adicionando pimentão vermelho, cebola picadinha, abacate, suco de limão e azeite. Basta deixar ali "marinando" até o peixe ficar com uma aparencia de cozido. Para acompanhá-lo, escolhi um sakê chamado "g" produzido pela [SakeOne] no Oregon.

O prato seguinte foi um cozido de coelho com gnocchi na manteiga, preparado pela minha amiga. Gente, maravilhoso! O coelho ficou cozinhando por mais ou menos 1h30 com cenoura, cebola, temperinhos e caldo de frango. Dava vontade de comer mais, mas a gente sabia que ainda vinha mais comida pela frente e se conteve.


Às 5:30pm saímos pelas fazendas pra fazer a digestão. Uma caminhada gostosa debaixo de um friozinho de 1ºC. E voltamos pro peru! Um peruzão de 19lb (8,6kg) acompanhado por um soufle de cenouras e couve com alguns tubérculos.


E as sobremesas: a Liana fez uma torta de cranberry com peras deliciosa e a mãe dela fez a tradicional pumpkin pie, que nunca pode faltar.


Eu fiz uma tortinha de massa de chocolate amargo com recheio de brigadeiro e gelatina de yuzu, uma fruta cítrica japonesa. Uma misturinha japonesa e brasileira que ficou muito gostosa, e foi decorada com lascas de coco.


O jantar acabou lá pelas 9:30pm, e ficamos na sala conversando um tempão para fazer a digestão. Até nevou um pouquinho para deixar o Thanksgiving ainda mais especial. E as receitas? Achei bem engraçado, quando perguntei para a Liana, ela me respondeu: "procura no [Epicurious], estão todas lá!" =P.

Nov 22, 2010

Momofuku Fried Chicken

Qual a capacidade estomacal de um ser humano? Eu sei que é pouca, mas eu andei aumentando a minha recentemente. Pelo simples processo de "sempre cabe mais um pouco", a gente consegue esticar nosso estômago e a impressão que dá é que ele quase dobra de tamanho.

E depois do Annisa, teve também [Blue Hill Stone Barns]. Maaaaraaaavilhoso, mas estou esperando o menu chegar pelo correio e escrevo direitinho.

E no dia seguinte ao Blue Hill, depois de comer um menu degustação composto por OITO pratos, o que a gente faz? Ah, se você acha que eu e as minhas meninas vamos pra salada+academia, estão é muito enganados! A gente manda ver num franguinho frito bem crocante!

Mas pra explicar melhor: o [Momofuku Noodle Bar], que eu já falei várias vezes no blog, tem o melhor ramen de NY na minha opinião. Eles tem também um prato que serve de 4 a 8 pessoas de frango frito. Não está no cardápio e você só consegue fazer a reserva com muita antecedência e online. Coisas de David Chang e seus restaurantes. E lá fomos nós.

Claro que antes não poderia faltar um pork bun, né? Carne de porco, molhinho adocicado, pickles de pepino e os buns. Esse bun, tipo um pão bem fofo, é maravilhoso... Tipo comendo o melhor travesseiro do mundo. Não, não foi uma boa comparação, pois ninguém deve achar comer pena de ganso assim tão apetitoso. Talvez dormir no melhor travesseiro do mundo possa ser comparado a comer esse bun fofo.


E veio o frango frito. São duas opções e se come assim com a mão mesmo, embrulhado em pães fininhos com alguns legumes como os bem tradicionais coreanos, ou então o típico americano southern fried chicken sem nenhuma frescura.


Os franguinhos são muito bem feitos e temperados, mas bem apimentados. Adorei os molhos e poder fazer as suas próprias combinações. E pra deixar tudo melhor ainda, um slushy - tipo raspadinha de sake com suco de frutas - de lichia. Hmmmm... E direto pra cama depois pra digerir que nem jiboia.

O custo do fried chicken é de US$100, independente se o grupo tem 4 ou 8 pessoas. Os pork buns custam $9 a porção com 2, e o slushy, $5 (pequeno) ou $10 (grande).

Momofuku Noodle Bar:
171 1st Ave
f: (212) 777-7773

Nov 18, 2010

A fenix Annisa

O que você faria se seu restaurante pegasse fogo? O que Anita Lo fez com o [Annisa]. Toca a vida e a reforma, participa de nada mais nada menos um Top Chef Masters e depois volta ao seu restaurante. E ainda encara com bom humor, substituindo a caixa de fósforo por mentinhas.

Depois disso, dá a volta por cima, conquista sua estrela Michelin, recebe mil elogios e tem seu prato na lista dos 100 melhores de NY. Claro que eu não poderia deixar de ir conhecer esse restaurante antes de ir embora, né? Ainda mais com uma amiga trabalhando na cozinha!

Nossa, que experiência maravilhosa. Com certeza o melhor "asiático" de Nova York. Ela foge do óbvio e cria um jantar di-vi-no com inovações em pratos clássicos, usando ingredientes de todos os cantos do mundo e a tradicional técnica francesa.

Seguindo o conselho da minha amiga, pedimos o pri-fixe (US$75). O primeiro prato foi o Tuna hot and cold. Um tartar de atum com gelatina de pepino e um atum grelhado.


Depois veio um soup dumpling - sim! um dumpling com sopa dentro dele - de foie gras. Você tem que comer com uma colher embaixo para não perder nem um pouquinho do caldo. Com certeza a melhor surpresa da noite.


Depois veio um peixe que me deixou nas nuvens. E olha que a expectativa era alta! Um black sable grelhado que vem em cima de um tofu crocante, tudo num caldinho de dashi com um moooonte de ovas pequeninas boiando. Para mim, 90% do sabor da comida não está no aroma, mas na combinação de diferentes texturas, e nunca comi nada igual.


O último prato foi o famoso cordeiro com especiarias africanas. Gostoso, ponto perfeito, carne macia e saborosa. Era "O prato" que eu precisava comer e pensei nele um tempão antes de ir. Mas eu trocaria por mais um do peixe black sable.


E ueba! Na nossa mesa de 3 pessoas, recebemos todas as sobremesas. Uma melhor que a outra. Começando pelo Chocolate & Malt, com bolinho, quadrado de farofa, sorvete e um "drink" em que as bolinhas são tipo Chumbinho. Muito bom.


Depois uma panna-cotta em uma "sopa" de grape-fruit e erva-doce super gostosa. Mas é panna-cotta, né? Meio mole no mole.


A terceira sobremesa é outra mini-explosão: beignets de nozes com butterscotch e um sorvete de leite com bourbon! Tipo um upgrade de sonho, e o garçon recomenda que você coma uma inteira pra não se lambuzar. Opa! Eu comi duas!


Mas a melhor sobremesa da noite foi um bread pudding de limão meyer com poppy seed. Simples e perfeito. Daqueles que a barriga não aguenta, mas a gente faz caber mais uma mordidinha. E outra. E outra. E acabou!


O lugar é mini, tem 30 lugares e precisa de reservas. Eu fiz a minha com 40 dias de antecedência, pois precisava que fosse em um dia específico para coincidir com a visita da Gi. Mas é bem concorrido mesmo.

13 Barrow Street
f: (212) 741-6699

Nov 17, 2010

Kilo Paulistano

Nossos queridos e famosos kilos sairam em um blog do New York Times num post sobre como comer bem e baratinho em São Paulo. [Clique aqui] para ler o texto inteiro.

Comida por kilo é realmente algo que não há por aqui, e eu sempre senti um pouco de falta. Poder fazer aquela mistureba de coxinha com arroz, feijão, salada, as vezes até um abacaxi perdido pelo caminho. Mas acho que daria um susto em todos os rechonchudos americanos que olhassem pro peso da balança de um almoço, né? Será que americano emagreceria se soubesse o peso da garfada? Concordo que o problema reside na qualidade, mas já viu o balde de frango frito típico em jogos de futebol americano?

Procurando por Sake

Bom, eu estava hoje em busca de uma loja de sakes em Nova York. E depois de fuçar um tanto no google, achei o [Urban Sake]. Gente, que fantástico! Ele tem mapas de Nova York e San Francisco com indicações de restaurantes que vendem sake, lojas e bares!


Agora vamos lá, né? Eu aqui fazendo propaganda, mas ainda não fui conferir nenhuma dessas garrafinhas. Mas dei uma olhada nos ícones e tem, por exemplo, o En Japanese Brasserie, um restaurante que gosto bastante e tem uma seleção bem legal mesmo de sakes. Tem também o Decibel, um bar manjadíssimo pelos seus sakes. E agora, com tantas opções, qual escolher?

Do outro lado da mesa

Uma das provas que temos na FCI é o Midterm. Bem no meio do curso, no final do nível 3, somos julgados por uma banca de ex-alunos. É a primeira grande prova que fazemos, e vale 50% da nota do nível 3. Os vinte e quatro alunos são divididos em três grupos, e cada grupo tem três avaliadores. A ideia até é pegar pessoas que se formaram em anos e turmas diferentes, e dar um mix legal à banca.

A experiência do meu grupo foi bem traumática, pois infelizmente pegamos um grupo de pessoas não seguiam o critério de avaliação da forma que nos foi passada, e por serem todos de uma mesma turma, não tinha um equilíbrio mto legal. Houve uma situação chata, notas completamente fora da curva, discussões, enfim. Águas passadas.


E por que eu estou falando sobre isso? Foi a minha vez, fui convidada por um chef para fazer parte da banca. E exatamente por ter tido uma experiência ruim, lembrei do meu momento naquela boca do fogão. O stress, o suor, os nervos a flor da pele. E acredito que todos se esforçam ao máximo e levei em consideração não somente o que chegou ali, mas também ao esforço na cozinha.

O primeiro prato foi um consommé. Como se avalia? É bem interessante, e o chef nos explicou os parâmetros que ele passou aos alunos. O consommé não pode ser turvo, não pode ter gotas de gordura na superfície. Tem que ter notas de vegetais, mas nenhum pode se sobrepor a outro. Os legumes tem que estar todos cortados em cubos do tamanho de uma ervilha, e devidamente cozidos e salgados.

Tudo bem similar ao que nós aprendemos também, mas tem chefs que gostam de consommé mais claro, mais escuro, e tem vezes que o tomate está menos vermelho, mais vermelho, e é legal a gente saber, pois isso altera a cor do produto final. O meu chef dizia que o prato tinha que estar super super quente e o consommé tinha que chegar esfumaçando, mas esse falou que quentinho já estava bom.


E assim vai. Depois teve também um prato de peixe, porco e torta de maçã. Devo ter dado sorte, pois nada que recebemos - e olha que a gente recebeu oito de cada coisa! - veio ruim. Talvez um porco um pouco seco, uma batata um pouco queimadinha, um molho que não reduziu o suficiente, mas isso é questão de gosto, né? Senão as pessoas não pediam carne mal passada ou ao ponto!

Nov 15, 2010

Fondue do Taureau

Tem aquele restaurante em que o serviço é ótimo. Outro com um peixe excelente. Ou uma sobremesa que é o final "feliz para sempre" da sua refeição. E têm aqueles em que você sai pela porta querendo voltar amanhã. Foi esse pensamento que passou pela minha cabeça ao sair pela porta do [Taureau].


Uma noite fria, um passeio pelo Lower East Side e uma portinha pequenina. Algumas mesas, corredor espremido e franceses super simpáticos. Quando eles resolvem ser simpáticos, bem que conseguem!

E qual é a desse restaurante: fondue! Queijos, muitos queijos, carne no óleo ou em caldinho e vários tipos de chocolate. Os potinhos tem um tamanho pequeno, ideal para uma pessoa ou para poder pedir vários sabores, e vem acompanhados de salada e croutons.

Há duas opções de pri-fixe com queijos, carnes e chocolates, mas achei que seria uma comilança exagerada até para os meus padrões. Pedimos então dois fondues de queijo: 90 Days Old Swiss, o tradicional fondue suíco, e The Pyrenees, receita desenvolvida pelo chef e propriertário Didier que viajou de lá da França com ele.


Cada fondue de queijo custa entre US$19 - US$29. Há também acompanhamentos que vem à vontade, e recomendo as batatinhas Fingerling Potatoes (US$4 por quantas você conseguir comer). Fazem parte da lista também cogumelo, brócolis, pimentão e outros legumes que deixam a refeição com uma cara mais esbelta.


Claro que não poderia faltar o fondue de chocolate (US$14). Branco, ao leite ou amargo, é acompanhado por um prato de frutas, gengibre, marshmallow, bolo de banana e nozes caramelizadas, que foram o melhor acompanhamento do chocolate amargo.


Tudo fica quentinho na mesa com uma boca de fogão por indução, sem aquela chama que queima demais ou esquenta de menos. Uma mistura louca e muito legal do tradicional e caseiro com um toque mais moderno.

E como todo cantinho gostoso de Nova York, o restaurante tem conquistado muita gente e não dá pra conseguir uma mesa ao chegar lá em uma noite fria do fim de semana sem reserva.

127 East 7th Street
Cross Street: Avenue A
(212) 228-2222

Nov 6, 2010

Giant Cookie da Bouchon Bakery

E falando em comilança master, outro dia fui encontrar duas amigas lá na [Bouchon Bakery] do Columbus Circle. Ela é a padaria do Thomas Keller, proprietário do Per Se e French Laundry, que fazem parte da lista dos melhores restaurantes dos EUA.

A padaria surgiu em Yountville, CA, numa pracinha linda com bancos ao ar livre. Aqui em Nova York, além de poder pegar um sanduíche ou pães rápidos no balcão, há também uma área para sentar e comer com calma a quiche do dia, um sanduba ou salada. Os sanduíches são muito bons, mas eu resolvi pedir um cookie de peanut butter acompanhado de sorvete de baunilha.


Dá pra perceber o tamanhão desse cookie ao lado da xícara de cappuccino? Sem contar que eram DOIS cookies, super recheados com um creme muito bom de peanut butter. É maravilhoso e recomendo para todos os amantes de pasta de amendoim, mas da próxima vez, vou dividir.

Nov 5, 2010

Norma's Brunch

Eu adoro café da manhã de hotel. Será que tem alguém que não gosta? Bom, imagino que quem viaja muito a trabalho deve começar a enjoar daquelas mesmas comidas, mas eu acho muito divertido. E o [Norma], o restaurante do Hotel Le Parker Meridien - ali onde também fica o Burger Joint - estava quotado como melhor brunch de NY pelo OpenTable. Oba!


Tentei fazer a reserva na sexta pensando no fim de semana, mas não tinha nada disponível. Pelo menos não pelo site Opentable. Então deixei o brunch um pouco menos casual e espontâneo e fiz uma reserva com duas semanas de antecedência.

O lugar é lindo, e por US$9 você tem suco de laranja fresco a vontade. Eu sei que soa um roubo, mas eu achei maravilhoso! Sucos naturais aqui, ainda mais de laranja simples, não são tão fáceis de se encontrar.

Já aviso que os pratos são gigantes e vale a pena dividir. O marido pediu uma French Toast recheada com foie gras, aspargos e cogumelo. Veio praticamente um brioche inteiro no prato! E muito, muito molho.


Eu pedi um Lox-and-lox bagel, que era uma pilha com três fatias de bagel, muito salmão defumado e algumas ovas. Até está escrito "Piled High" no cardápio, mas não achei que fosse tanto assim.


É bem interessante e a comida estava gostosa, mas achei a enormidade dos pratos... exagerada até para americanos. Aí olho pro lado e a mesa recebeu um modesto Eggs Benedict, tamanho normal para uma pessoa normal. Vai entender...

119 W 56th Street
f: (212) 245-5000

Oct 26, 2010

Óinc Óinc

Nova York tem diversos lugares especializados em uma única coisa. Tem o donut, o wafel, o dumpling... A lista não acaba, e a cada dia descubro mais um canto com a sua peculiaridade. Hoje foi o dia do [Porchetta].


Com esse nome, dá pra imaginar o que eles vendem, né? Carne de porco, assada seguindo uma receita típica de comida de rua na Itália, em sanduíche ou no prato. E pra ter mais cara de Nova York, fica num cantinho minúsculo no East Village e usa porcos bem tratados, sem antibióticos ou hormônios.


Há também opção de sanduíche de mozzarela para os amigos vegetarianos, uma saladinha verde, sopa e batata. Mas o sanduba foi recomendado pelo vendedor, e todos fomos nele. Uma bela limonada acompanha e quebra a dose de gordura, lembrando pra mim a caipirinha com a feijoada. É bem pesadão, mas muito saboroso.


E olhem: dá pra pegar a [receita] no site deles! Hum... Um dia vou tentar, chamar uma dúzia de cobaias pra testar essa receita! Mas depois de ter visto o super forno que eles tem lá, com controles de umidade e temperatura digitais, acho difícil conseguir competir.

110 E 7th Street
(212) 777-2151

Oct 24, 2010

Almoço no Jean Georges

O [Jean Georges] tem vários restaurantes em Nova York. Já fui a alguns, Mercer Kitchen, Spice Market, mas achava o Perry Street o melhor entre eles, com um ambiente bem legal, influência de alguns ingredientes asiáticos sem exageros.

E ainda não tinha ido ao THE Jean Georges, que fica dentro do Trump Hotel no Columbus Circle. Como qualquer famosão, três estrelas Michelin e super premiado, os preços não são muito amigáveis, mas o preço do almoço é bem legal.

Estava um dia friozinho, típico do começo de outono. As árvores que ficam nas janelas estavam ainda mais lindas. Dava pra ficar lá horas olhando as folhas balançando com o vento. E o salão é lindo, super clean, pé direito alto com lustres malucos.


Começamos com um amuse-bouche: uma sopa de cogumelos, beterraba com cebola crocante e salmão com uma geléia de mostarda. Bonitinho e gostoso.


E as entradas, hmm... A minha entrada era um gnocchi de queijo de cabra com alcachofras caramelizadas e muito azeite. A minha cara pintada em um prato! E o maridão pediu um sashimi de truta com ovas, creme fraiche com limão.


Os pratos também eram muito gostosos. O meu era um scallopine de vitelo com presunto crocante e brócolis. O outro, um red snapper com uma casquinha crocante feita de uma mistura de castanhas em um caldinho que dava vontade de lamber o prato.


As sobremesas... nhé. Esperava muito mais. Johnny Iuzzini, o pastry chef do restaurante, é super famoso e host do Top Chef Just Desserts. Eram lindas, mas os sabores não agradavam muito. Elas são separadas por temas, e pedimos o Garden e o Chocolate. O Garden tinha blackberries, macarron, sorvete de ervilha e mochi. Mistura louca demais em um prato só. O famoso bolinho de chocolate era mesmo muito gostoso, mas achei que parava por aí.


O que agradou MESMO foram os macarrons que vem com o café: massa de pistache, recheio de geléia de amora e poppy seeds. Muito gostoso! E eles servem também um marshmallow que fica di-vi-no com o café.


Entrada e prato principal custam US$36.
Cada sobremesa custa US$8.
1 Central Park West
f: (212) 299-3900

Oct 14, 2010

Quem quer pão?

A vida na cozinha ficou bem mais interessante depois que uma linda batedeira ver-me-lha Kichen Aid aterrisou por lá. Tem tanta coisa legal que dá pra fazer, pra descobrir e experimentar. Até pra saber mesmo se tem tanta diferença assim entre uma batedeira normal e uma planetária.

E realmente, acho que ela ajuda muito em algumas situações, mas não faz nada que você não consiga fazer normalmente. Por exemplo, sovar um pão: as planetárias tem aquele gancho super power que sova a massa por você. Também dá para usar o moedor de carne que se acopla, ou mesmo o esticador de massas. Mas mais uma vez, nada que você não consiga fazer com um pouco mais de trabalho, muito tempo e mega sujeira.

E nessa busca por coisas novas eu achei uma receita de pão muito interessante. Chama-se [Irish Soda Bread] e veio do programa Barefoot Contessa que passa no Food Channel. O pão não precisa crescer por horas nem a massa precisa ser sovada.

Ainda quero testar essa receita no Brasil e usar bicarbonato de sódio para saber se o resultado é o mesmo. Além disso, vai também na receita o buttermilk, que lembra um iogurte sem açúcar. Será que dá pra usar iogurte natural?

E pra variar, resolvi mudar algumas coisinhas, adicionar farinha integral e reduzir a quantidade de sal. Segue a receita!

2 xícaras de farinha de trigo
2 xícaras de farinha de trigo integral
4 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de baking soda
1 colher de chá de sal
½ tablete de manteiga cortado em cubos de 1cm
1+3/4 xícara de buttermilk
1 ovo

Pré-aqueça o forno 375ºF (190ºC) e coloque papel manteiga em uma forma.

Coloque as farinhas, açúcar, baking soda e sal no recipiente da batedeira e misture levemente. Incorpore a manteiga e misture em velocidade baixa até os pedaços de manteiga ficarem bem pequenos.

Em um recipiente, misture o ovo e o buttermilk e adicione aos poucos à mistura da batedeira. Coloque um pouco de farinha na pia e faça uma bola com a massa. A massa vai em cima do papel manteiga e direto ao forno por 45-50 minutos.


Outra opção é usar uma forma de pão retangular. O tempo de forno é o mesmo, só amasse os cantos e deixe a massa plana para que o pão não fique torto.


O pão quentinho fica ótimo com manteiga, doce de leite ou cream cheese. Depois de frio, guarde na geladeira em um saco plástico.

Se por acaso alguém testar essa receita no Brasil com o bicarbonato de sódio e iogurte natural, deixe um comentário contando o resultado =)

O que fazer com a baunilha?

Uma vanilla bean, ou a baunilha em fava, custa uma fortuna. Nunca comprei no Brasil, mas por aqui sai US$10 uma ou duas favas, dependendo do lugar em que você compra.

E claro que aqueles pontinhos pretos no crême brûlée, panna cotta ou até no cookie fazem toda a diferença, mas o que fazer com a fava que sobra?

Uma pastry chef me deu uma dica super interessante: seque um pouco a fava - eu deixei alguns dias na bancada da cozinha, mas pode deixá-la perto do fogão também que o calor ajuda - e coloque no açúcar.

Hmmm... o cheirinho é maravilhoso! Dá um toque especial a qualquer café, chá ou doce, sem ter aquele sabor artificial dos syrups. E um pequeno pedaço já faz toda a diferença.

Oct 12, 2010

Pizza Caseira

Eu cansei da massaroca das pizzas americanas. E olha que ainda pelo menos Nova York tem aquelas pizzas por fatia... Mas pensa: a pizza é feita, fica ali naquela luz meio quentinha e, na hora em que você pede, eles colocam no forno de novo. Só faltava colocar no microondas, né?

E eu tentei: fui ao John's e Lombardis. As pizzas são realmente muito gostosas, mas não entregam em casa. [Lombardis] é de longe a minha favorita, não só pela pizza em si, mas pelo ambiente bem caricato, com aqueles quadros do gordinho tirando pizza do forno ao lado de gente famosa.

E confesso sim que tenho os meus dias de Dominos, gordíssima com pepperoni e queijo fetta. E aqui no nosso bairro, ela é melhor que a PizzaHut. E ainda pegamos as promoções de 2 pizzas por $5.99 cada, congelamos o que sobra pra comer depois. Yac total! Ah, se os antepassados italianos me vissem fazendo isso.

E chegou o dia em que eu cansei dessa mezzelecada e decidi fazer uma pizza em casa.

A pizza demora TRES horas pra ficar pronta, pois a massa tem que crescer por 1h:30min, ser cortada ao meio, esticada e ainda crescer por mais 1 hora. Ou seja, até rechear e assar, três horas. Mas não dá trabalho, é só sentar, ver tv, conversar, tomar um vinho, enfim, que uma hora a pizza fica pronta. Fala pro convidado que ele vai chegar e você estará meio enfarinhada, mas ok!


Fiz duas versões: uma com molho de tomate - esse eu fiz na véspera com o tomate que estava estragando - e mussarela pro maridão que gosta de pizza bem simples, da foto acima. A outra tinha um pouco de pesto que tinha sobrado na geladeira, molho, mussarela, gruyere, orégano e rúcula. Hmm...


E a receita não tem segredo nenhum: procurei por pizza dough no Epicurious e peguei uma que parecia legal. Segui as recomendações das reviews que falavam para adicionar uma colher de açúcar para o fermento crescer, e pronto!

[Clique aqui] para ser redirecionado à receita.

Oct 9, 2010

Banana Pancakes

Fiquei com vontade de comer umas panquecas de banana por causa da música do Jack Johnson que apareceu pelo meu iPod recentemente. Besteira, né? Mas enfim! Procurei receitas e tentei deixar o café da manhã com uma cara mais saudável usando um pouco de farinha integral e farinha de sarraceno.

Receita: Panqueca de banana

1 ovo
1 xícara de chá de leite
1/4 colher de chá de sal
1 colher de sopa de açúcar

1/2 xícara de farinha de trigo
1/4 xícara de farinha de trigo integral
1/8 xícara de farinha de sarraceno
1 colher de chá de fermento em pó
1 banana fatiada

Misture os quatro primeiro ingredientes em um recipiente.
Em outro recipiente, misture os ingredientes secos (farinhas + fermento), e os incorpore aos poucos à mistura líquida com a ajuda de um whisk (fue). Por fim, adicione a banana e misture levemente. A mistura tem que ficar homogênea e líquida.


Leve uma frigideira pequena ao fogo. Se não for teflon, coloque 1 colher de chá de óleo e esquente bem. Com a ajuda de uma concha, coloque 1/4 da massa. As bordas começarão a ficar douradas, então vire a panqueca. Deixe por mais alguns segundos, até desgrudar completamente. Faça uma panqueca por vez.


Sirva bem quente com mel ou maple syrup.

Oct 8, 2010

Noma - o livro

O [Noma] é um restaurante que fica lá na Dinamarca. Ele assumiu neste ano a primeira posição na lista dos [50 melhores restaurantes do mundo] e chamou muito a atenção por não fazer parte de uma das manjadas regiões gastronômicas do mundo. O restaurante valoriza muito os ingredientes nórdicos e os incorpora com uso de técnicas modernas em pratos maravilhosos.

No dia 4 de outubro o Chef René Redzepi lançou o livro Noma em inglês e, para a minha sorte, Nova York fazia parte do seu roteiro de lançamento. E mais sorte ainda que a William-Sonoma do Columbus Circle reservou seu espaço para que fãs, chefs e curiosos fossem ouvir um pouco mais sobre ele. Veja no vídeo abaixo.


[The idea of the book] was to create an extension of the restaurant, which I think we have. One of the most regrettable things for me running a restaurant like Noma is that it doesn't reach out to a lot of people. The fact that, you know, you have to be able to afford it. So even if you love great food and modern food you have to have a certain paycheck to be able to afford it.

So for us it was such a big point that we made a very high quality book that represents the restaurant, an extension of it so people can get an inspiration from it.


E ainda teve um gostinho de uma das suas sobremesas: Sea buckthorn and Beetroot Flødeboller e Spruce Granita. Sea buckthorn é uma frutinha que cresce em regiões de dunas, e foi combinada com beterraba num tipo de merengue que recheava o flødeboller, lembrando muito a nossa nhá-benta; a spruce granita é uma raspadinha de um pinheiro nórdico.


Se você estiver de passagem pela Dinamarca e quiser conhecer esse restaurante, prepare-se: as reservas são feitas pelo site com três meses de antecedência. No primeiro dia do mês eles recebem 30.000 clicks e no segundo dia do mês, as reservas estão todas esgotadas.

Oct 4, 2010

Concertos, Chuva e Wafels

Dia horroroso. Vontade zero de sair de casa, só de ficar embaixo da coberta tomando chá. Mas eu tinha me comprometido a ajudar num concerto da American Classical Orchestra. Trabalhei por um tempo para eles como a coordenadora dos voluntários, me desliguei depois que comecei estudar, mas achei que seria legal ajudar no primeiro concerto da temporada.

Peguei só um pedaço do concerto, mas foi lindo. O legal de ajudar é que sempre acabo pegando também os ensaios, as conversas, o que às vezes é até mais interessante do que a apresentação em si. E Mozart e um concerto de contrabaixo sempre fazem bem pra alma de qualquer um.

E apesar da chuva chata, daquelas fininhas que vem de todos os lados, molhando tanto que você se pergunta por que está carregando o guarda-chuva, resolvi voltar a pé pra casa. Só 15 quateirões, 9pm, sussa.

E ainda bem! Pelo meu caminho acabei encontrando o [Wafels and Dinges], um caminhão de wafels belgas! Morrendo de fome, sem ter jantado, foi parada obrigatória!


Há dois tipos mais famosos: o Brussels wafel, retangular e bem típico belga, e o liège wafel, redondo e massudo. E com diferentes combinações de dinges - as coberturas - você tem sanduíche de sorvete, com bacon ou carne de porco desfiada.


Pedi o liège pela sua descrição chewy - adoro coisas meio massudas. O segredo desse wafel são as pérolas de açúcar importadas da Bélgica. Elas não dissolvem na massa e, quando entram na máquina de wafels, ficam queimadinhas e crocantes.


E pra ficar ainda mais delicioso, cobertura de Nutella. Hmmmm...


E como uma boa novaiorquina, sai andando pelas ruas e devorando o meu wafel. Sem guardanapo, sem frescura. Encontrei o caminhão na 62nd com Broadway, e tinha devorado meu wafel já na 58th St com 8th Ave - googlemaps me contou que demora 4 minutos!

Para saber onde eles estão, [clique aqui], pois os lugares mudam a cada dia.